domingo, 15 - março 2026 - 14:58



TURISMO DE PESCA

Mulheres impulsionam nova fase da pesca esportiva em MT


A empresária Janaina da Silva Cabral começou a pescar há cerca de cinco anos e agora criou o próprio grupo de pesca. Mulheres já representam cerca de 40% dos pescadores que buscam experiências de pesca no estado e organizam viagens em grupo por rios e pousadas de diferentes regiões
A empresária Janaina da Silva Cabral começou a pescar há cerca de cinco anos e agora criou o próprio grupo de pesca. Mulheres já representam cerca de 40% dos pescadores que buscam experiências de pesca no estado e organizam viagens em grupo por rios e pousadas de diferentes regiões

Historicamente associada ao público masculino, a pesca esportiva em Mato Grosso atravessa uma mudança de paradigma. Grupos formados exclusivamente por mulheres e famílias já representam cerca de 40% do público que busca as pousadas e barcos-hotéis do estado, sinalizando uma renovação no perfil do turista que frequenta as bacias hidrográficas da região.

De acordo com Alisson Fagner Santos Trindade, presidente da Associação Mato-grossense de Ecoturismo e Pesca Esportiva (Amepa), o fenômeno é visível no dia a dia das operações. “As mulheres estão cada vez mais presentes, organizando desde locações de chalanas até expedições em grupos fechados”, afirma.

O Fenômeno dos Grupos Organizados

Um exemplo dessa nova força é o grupo Linha Rosa, fundado em janeiro pela empresária Janaina da Silva Cabral. O que começou como um hobby pessoal há cinco anos transformou-se em uma rede que conecta mulheres de Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.

A próxima expedição do grupo já tem data marcada: entre 17 e 20 de abril, 16 mulheres embarcarão rumo ao distrito do Sucuri, em Cuiabá, em busca de espécies icônicas como o Dourado e o Jaú no Rio Cuiabá. “Muitas encontram na pescaria um momento de realização e relaxamento indescritível. O entusiasmo é tão grande que nosso próximo destino será o Rio Teles Pires, no norte do estado”, relata a empresária.

Mercado e Adaptação Estrutural

O crescimento local acompanha uma tendência global. Nos Estados Unidos, as mulheres já ocupam 40% do mercado de pesca esportiva — patamar que o Brasil começa a espelhar. Marcos Glueck, presidente da Associação Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva (Anepe), ressalta que essa mudança exige adaptações do setor de serviços.

“O mercado precisa se perguntar: os destinos estão preparados? As pousadas têm estrutura adequada para o público feminino, com espaços de conveniência e acomodações pensadas para elas? Estamos caminhando para essa profissionalização”, pontua Glueck.

Impacto no Turismo Estadual

Para a Secretaria Adjunta de Turismo de Mato Grosso, a diversificação do perfil do pescador abre novas janelas de oportunidade econômica. A secretária Maria Letícia Arruda destaca que a presença de famílias e grupos femininos incentiva a melhoria da infraestrutura turística.

“Observamos uma renovação saudável no segmento. Mato Grosso possui vantagens competitivas, como rios preservados e diversidade de espécies, e o público feminino está ajudando a fortalecer e oxigenar essa atividade tão vital para a economia do estado”, conclui.


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