- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
A vice-prefeita de Cuiabá, Coronel Vânia Rosa, afirmou que sua saída do Partido Novo e filiação ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB) não representam qualquer mudança de posicionamento ideológico, caráter ou convicções políticas. Na primeira entrevista concedida após a troca de legenda, e depois da enxurrada de críticas que recebeu, ela reagiu de forma direta e enfática às acusações de incoerência.
“Não é ser do PL que torna um político melhor… É muito fácil ter uma narrativa. ‘Falar eu sou PL, tenho uma conduta ilibada, sou família, sou nação e não é bem assim. A gente tem que parar de ouvir narrativas, que eles gostam tanto de falar e ver quais são ações e a postura. Eu não saí Vânia no domingo à noite, Novo, e amanheci outra Vânia, MDB, segunda de manhã. É a mesma Vânia. Caráter não está no partido. Não é o partido que faz o político ser melhor ou pior”, declarou na noite desta quinta-feira (26), ao programa Roda de Entrevista, TV Mais Cuiabá, filiada da TV Cultura.
A mudança partidária provocou forte repercussão nos bastidores políticos da Capital, principalmente por Vânia ter sido eleita na chapa do prefeito Abilio Brunini (PL) pelo Novo, partido alinhado a direita. A gestora negou que a mudança represente traição ao eleitorado e reforçou que suas pautas e posicionamentos permanecem os mesmos.
“Não mudei minha personalidade, não mudei minha forma de administrar, não mudei meus princípios. Eu continuo defendendo aquilo que sempre defendi. O partido é uma ferramenta política, mas quem responde pelo mandato sou eu”, disse.
Questionada sobre o que motivou a decisão, a vice-prefeita afirmou que o rompimento foi resultado de um processo gradual de desgaste interno e de ausência de respaldo institucional.
Segundo ela, desde que assumiu o cargo passou a enfrentar exposições negativas sem o suporte da legenda que representava. “A partir do momento em que houve a assunção da prefeitura, como vice, em vários momentos houveram ali alguns dissabores para com a minha pessoa e eu não vislumbrava no Partido Novo nenhuma forma de significante atenção para aquele cargo de mandatária que ali estava representando o Novo. Eu me vi muitas vezes sozinha, tendo que lutar pelo meu nome, pelo meu CPF, tendo que refazer ali algumas formas de moral”, pontuou.
Vânia reforçou que esperava apoio público do partido diante das críticas que enfrentou, mas afirma que isso não aconteceu. “Eu não senti nenhuma forma de empatia. Sempre vinha aquela conversa de que ‘a gente precisa dialogar’, ‘a gente precisa conversar’. Só que muitas vezes não é só diálogo que resolve. Quando você é exposta e os diálogos ficam de forma internalizada, essa exposição também de forma positiva deveria ter vindo. Só que não veio. Veio só o negativo”, disse.
A vice-prefeita relatou que viveu um período de isolamento político e que precisou reconstruir a própria imagem praticamente sozinha. “Nesse momento eu vivi bastante sozinha, tendo que falar por mim mesma. Se não fosse a imprensa para me dar voz, eu estaria ainda pior na minha situação, enquanto reconstrução dessa imagem que foi deixada de forma pejorada na sociedade”, continuou.
Após o anúncio da saída, o presidente estadual do Novo, Rafael Alvarez Paulino, afirmou que a vice-prefeita teria demonstrado falta de experiência e de paciência para suportar a pressão política do cargo. A resposta de Vânia foi imediata e elevou o tom do embate.
“Quem é o experiente? Ele? Eu tenho uma experiência de gestão pública muito maior do que ele, com certeza. São 25 anos dentro do Poder Executivo”, disparou.
Ela afirmou que recebeu as declarações com surpresa e decepção. “Eu lamento muito a fala dele. Inclusive, eu ouvi hoje essa fala. Eu lamento tanta dissimulação, porque é uma pessoa que eu respeitava muito e considerava que não traria tantas inverdades”, disparou,.