- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
O presidente estadual do Partido Novo em Mato Grosso, Rafael Iacovacci, negou que a sigla tenha “escanteado” a vice-prefeita de Cuiabá, coronel Vânia Rosa, após a decisão dela de deixar o partido e se filiar ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
Em nota, Iacovacci afirmou que o Novo prestou todo o suporte institucional à Vânia e rechaçou as declarações de que houve abandono político, isolamento ou falta de espaço para lideranças femininas dentro da legenda. “O papel institucional do partido é oferecer suporte técnico, jurídico e político aos seus mandatários e foi exatamente o que fizemos”, inicia a nota.
Segundo o dirigente, o partido agiu com “coerência e transparência” durante todo o período em que Vânia esteve filiada. Ele explicou que a vice-prefeita procurou formalmente o Novo apenas uma vez, por meio de um ofício protocolado em 8 de janeiro de 2026, e que, no mesmo dia, o Diretório Estadual respondeu com um parecer técnico-jurídico completo, contendo orientações para resguardar a responsabilidade pessoal da gestora.
Ainda de acordo com Iacovacci, o partido também se colocou à disposição para intermediar uma reunião direta com o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), quando os dois tiveram atritos internos, além de auxiliar na articulação com a Câmara Municipal para tentar restituir a autonomia orçamentária do Gabinete da vice-prefeitura.
“Além disso, o partido se colocou formalmente à disposição para intermediar reunião diretamente com o prefeito municipal e para auxiliar na articulação junto à Câmara Municipal, com o objetivo de restituir a autonomia orçamentária do Gabinete da Vice-Prefeitura. Medidas concretas, documentadas e dentro dos limites institucionais que regem a atuação do Novo. Falar em abandono ou isolamento diante desses fatos não encontra respaldo na realidade”, cita outro trecho.
O dirigente ressaltou, porém, que o Novo não negocia cargos, não distribui espaços de poder e não atua nos bastidores para acomodar interesses individuais. “Se essa é a expectativa de ‘respaldo’ ou de ‘abertura’, é preciso deixar claro: isso não faz parte da identidade do Partido Novo”, pontuou, reforçando que a legenda não flexibiliza princípios para reter quadros.
Sobre as críticas de que o partido não oferece espaço para mulheres, Iacovacci afirmou que os próprios fatos desmentem essa acusação. Ele lembrou que a presidência estadual do Novo em Mato Grosso é ocupada por Gleci Teixeira, além de citar outras lideranças femininas no interior do estado e a realização, no próximo dia 7 de fevereiro, do evento “Novo Mulher”, em Sinop, cuja organização, segundo ele, antecede a saída da vice-prefeita.
Na avaliação do presidente, a desfiliação de Vânia Rosa é um direito legítimo, mas a forma como ocorreu gerou desconforto interno. Conforme a nota, o partido não foi comunicado previamente da decisão, tomando conhecimento da saída por meio da imprensa, o que, na visão da direção, caracteriza quebra de confiança e de respeito institucional. Ainda assim, o Novo afirmou reconhecer a trajetória da vice-prefeita e reiterou que seguirá oferecendo suporte técnico e institucional aos seus filiados.
“A forma como foi conduzida, sem comunicação prévia ao partido, com o anúncio chegando pela imprensa, é que revela uma quebra de confiança e de respeito institucional. Ética e bom senso, valores que o Novo sempre praticou, começam justamente por aí: pelo respeito às pessoas e às instâncias que construíram o caminho junto”, cita.
Saída do Novo
A saída de Vânia do Novo ocorreu após uma série de declarações públicas em que ela admitiu insatisfação com a falta de apoio partidário em Mato Grosso. Em entrevista ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, a vice-prefeita afirmou que avaliava deixar a legenda para buscar um partido no qual pudesse “performar melhor” politicamente. À época, ela citou sensação de “evasão” em relação ao seu papel como vice-prefeita e apontou a postura neutra do Novo durante o desentendimento com o prefeito Abilio Brunini, ocorrido em agosto, como um dos episódios que evidenciaram o distanciamento.
Vânia também declarou, na ocasião, que respeita o Partido Novo, mas avaliou que a sigla ainda precisa amadurecer politicamente no estado. Ela chegou a afirmar que, se o partido conseguisse oferecer o suporte esperado, permaneceria, mas que, caso contrário, buscaria outra legenda.
Nesta segunda-feira (2), a vice-prefeita oficializou sua filiação ao MDB, em ato realizado na sede do Diretório Estadual do partido. A ficha foi abonada pela deputada estadual Janaina Riva, presidente estadual da sigla, e por outros parlamentares emedebistas.
Vânia sinalizou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e afirmou que chega ao MDB para “servir o partido” e contribuir com projetos voltados ao desenvolvimento da capital e do estado.
Veja nota:
O Partido Novo vem a público prestar esclarecimentos sobre a saída da vice-prefeita Coronel Vânia Rosa de seus quadros, em resposta a declarações públicas que sugerem falta de suporte, isolamento político e ausência de espaço para lideranças femininas no partido.
O Novo é um partido que atua com coerência e transparência. Não negocia cargos, não distribui espaços de poder e não interfere na gestão municipal para acomodar interesses individuais. O papel institucional do partido é oferecer suporte técnico, jurídico e político aos seus mandatários e foi exatamente o que fizemos.
A vice-prefeita procurou formalmente o Partido Novo uma única vez, por meio de ofício protocolado em 8 de janeiro de 2026. No mesmo dia, o Diretório Estadual respondeu com um parecer técnico-jurídico completo, contendo orientações detalhadas para proteção da responsabilidade pessoal da mandatária perante o Tribunal de Contas, a Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Improbidade Administrativa.
Além disso, o partido se colocou formalmente à disposição para intermediar reunião diretamente com o prefeito municipal e para auxiliar na articulação junto à Câmara Municipal, com o objetivo de restituir a autonomia orçamentária do Gabinete da Vice-Prefeitura. Medidas concretas, documentadas e dentro dos limites institucionais que regem a atuação do Novo. Falar em abandono ou isolamento diante desses fatos não encontra respaldo na realidade.
O que o partido não fez, e não fará, é negociar fatias de poder, intermediar cargos ou operar nos bastidores para atender demandas que contrariam seus princípios. Se essa é a expectativa de “respaldo” ou de “abertura”, é preciso deixar claro: isso não faz parte da identidade do Partido Novo.
Quanto à narrativa de que o Novo não oferece espaço para mulheres, os fatos desmentem essa afirmação. A presidência Estadual do Novo Mato Grosso está sob a liderança da Gleci Teixeira, que conduz um trabalho brilhante. O partido conta com lideranças femininas expressivas no interior do estado, como a Mirtes da Transterra. E no próximo dia 7 de fevereiro, o Novo realizará em Sinop o evento Novo Mulher, com a participação de mulheres ilustres da política nacional, uma agenda que já estava em andamento antes de qualquer desfiliação. No Novo, mulheres não precisam de discurso sobre espaço, elas já ocupam esse espaço, com protagonismo real.
A desfiliação é um direito legítimo. A forma como foi conduzida, sem comunicação prévia ao partido, com o anúncio chegando pela imprensa, é que revela uma quebra de confiança e de respeito institucional. Ética e bom senso, valores que o Novo sempre praticou, começam justamente por aí: pelo respeito às pessoas e às instâncias que construíram o caminho junto.
O Partido Novo reconhece a trajetória da Coronel Vânia Rosa. Ao mesmo tempo, reafirma que seguirá oferecendo suporte sério e institucional aos seus filiados, sem flexibilizar princípios para reter quadros ou atender expectativas incompatíveis com sua proposta.
O Novo existe para fazer diferente. E continuará fazendo diferente, mesmo quando isso tem custo político.
Rafael Iacovacci
Presidente do Diretório Estadual
Partido Novo — Mato Grosso