- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 15 , JANEIRO 2026


A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta sexta-feira (22), a Operação Vigia das Águas, com o objetivo de apurar um esquema de comercialização ilegal de pescado na Feira do Porto, em Cuiabá.
A operação, que ainda está em andamento, cumpre nove mandados de busca e apreensão — cinco em residências e quatro em empresas — todos localizados em Cuiabá e Várzea Grande. Até o momento, cerca de três toneladas de pescado foram apreendidas e duas pessoas foram presas em flagrante. O pescado será destinado a instituições de caridade.
As investigações tiveram início em dezembro de 2024, sob coordenação da Delegacia Especializada do Meio Ambiente (Dema), com base na Lei Estadual do Transporte Zero (nº 12.197/2023). A apuração começou após o recebimento de autos de infração encaminhados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), os quais apontavam a possível comercialização ilegal de espécies nativas dos biomas mato-grossenses — prática proibida pela legislação vigente.
A partir dessas informações, as equipes da Dema passaram a analisar documentos fiscais de comerciantes da Feira do Porto. Foram identificadas inconsistências nos registros de pessoas físicas e jurídicas, revelando diferenças significativas entre os volumes de pescado adquiridos e efetivamente comercializados, além da utilização de terceiros para operações comerciais irregulares.
As investigações também evidenciaram a tentativa de ocultação da movimentação financeira real, caracterizando sonegação fiscal.
“Durante a investigação, encontramos indícios de outros crimes, como infrações contra a administração pública ambiental e contra a fazenda pública estadual”, destacou a delegada Liliane Murata, titular da Dema.
A operação conta com apoio da Sema, do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), da Politec e da Polícia Militar, por meio do Batalhão de Polícia Militar de Proteção Ambiental. Ao todo, foram mobilizados 40 profissionais e 17 viaturas.
O significado do nome da operação
O nome “Vigia das Águas” tem inspiração na cultura regional, especialmente na figura da abelha Mandaçaia, cujo nome indígena significa “vigia bonito”, referência ao papel da abelha como guardiã da colmeia.
Assim, o título da operação é usado de forma simbólica para representar pessoas, instituições e forças policiais que atuam na proteção dos ambientes aquáticos da bacia do Pantanal. Esses ambientes — rios, lagos e baías — são essenciais para a manutenção da fauna, flora e das comunidades humanas que deles dependem.
