- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 18 , FEVEREIRO 2026
O Vaticano confirmou, nesta terça-feira (17), que o Papa Leão XIV não integrará o “Conselho de Paz” idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé, que reiterou a posição de que as Nações Unidas (ONU) devem permanecer como a instituição primária na gestão de crises internacionais.
O Conselho, que será presidido por tempo indeterminado por Trump, foi concebido originalmente para supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza. Entretanto, seu escopo foi expandido para atuar como um órgão global de manutenção da paz, o que gerou ceticismo em diversas capitais.
“Questões Críticas” e Soberania Particular
Segundo o Cardeal Parolin, a Santa Sé ficou “perplexa” com pontos específicos do plano norte-americano. “Nossa preocupação é que, em nível internacional, seja sobretudo a ONU a administrar essas situações de crise. Este é um dos pontos em que temos insistido”, afirmou o diplomata durante evento em Roma que marcou o aniversário dos Pactos de Latrão.
Diferente da Itália e da União Europeia, que planejam participar como observadores, o Vaticano optou pela ausência total. Parolin justificou a decisão citando a “natureza particular” da Santa Sé, cuja atuação diplomática e religiosa difere da lógica de Estados seculares.
Isolamento Diplomático e Preocupações Globais
O Vaticano não está sozinho na recusa. Potências europeias como Reino Unido, França e Noruega também declinaram os convites. No corpo diplomático internacional, as principais críticas recaem sobre:
A expansão ambiciosa do escopo do conselho;
A presidência indefinida de Donald Trump;
O risco de esvaziamento das funções e da autoridade da ONU.
A reunião inaugural do órgão está agendada para esta quinta-feira (19), em Washington.
O Papado de Leão XIV e a Pacificação
Primeiro pontífice norte-americano da história, Leão XIV transformou a pacificação no pilar central de seu magistério. Recentemente, o Papa alertou que “a guerra voltou à moda” e intensificou a defesa do direito humanitário.
Em relação ao conflito no Oriente Médio, o Papa tem mantido uma postura de equilíbrio crítico:
Solução de Dois Estados: Defesa ferrenha do direito dos palestinos à terra e à paz.
Crise de Reféns: Pressão contínua pela libertação dos cativos pelo Hamas.
Diálogo: Manutenção de canais abertos com lideranças israelenses, ao mesmo tempo em que condena o antissemitismo.
A recusa ao convite de Trump também reflete as tensões ideológicas entre o Vaticano e a Casa Branca, especialmente no que tange às políticas de imigração, frequentemente criticadas pelo pontífice.