- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 13 , FEVEREIRO 2026
A personal trainer Débora Sander afirmou, durante live realizada na noite desta quinta-feira (12), que foi obrigada a usar apetrechos sexuais contra a própria vontade e que sofreu agressões físicas, ameaças e violência sexual durante o relacionamento com o ex-namorado, o policial Sanderson Ferreira de Castro Souza, preso em 1º de setembro de 2024, por espancá-la.
O policial havia sido condenado a 15 anos de prisão em regime fechado e teve pena reduzida a 1 ano e 9 meses em regime aberto, ao ser reformada a decisão que o condenava por crime de estupro.
Na transmissão, Débora explicou o motivo de só agora tornar públicas as imagens e os relatos mais íntimos.
“Eu vim aqui só pra falar pra vocês o porquê que eu não tinha mostrado antes os brinquedinhos, exposto a parte sexual dele, porque a pedido da minha advogada e a pedido da doutora Judá, eu fui orientada a não me expor tanto, mas eu não tenho mais nada a perder”, declarou em live.
Durante a live, Débora também fez novas acusações relacionadas à dinâmica sexual do casal e classificou os episódios como estupro marital, quando há imposição de ato sexual dentro do casamento ou relacionamento, sem consentimento.
No stories, ela compartilhou uma imagem que mostra uma gaveta aberta contendo diversos consolos, pênis de borracha de diferentes tamanhos e cores, vibradores, uma cinta com suporte para prótese (conhecida como cinto com acessório), além de algemas metálicas e outros itens íntimos.
“Os verdadeiros estupros era quando ele levava os machos pra gozar na boca dele com a desculpa de que era pra mim”, afirmou.
Ela ainda declarou que era coagida a utilizar acessórios contra a própria vontade.
“Ele sempre gostou que eu comia ele com essa cinta, porque era minha obrigação. Se eu não usasse, já ia dar merda, porque ele falava pra mim: você é minha esposa, você é minha mulher, você tem que me fazer gozar”, relatou.
A personal também mencionou ameaças e disse temer pela própria segurança.”Eu era ameaçada, que ele ia tirar a vida do meu filho, que ele ia tirar a minha vida, enfim, me mostrava a arma, dava tiro pra cima”, declarou.
Ao comentar a decisão judicial que reformou a condenação do ex-companheiro, ela criticou a atuação da defesa e afirmou que pretende divulgar o conteúdo integral do processo.
“Eu vou expor todas, não existe mais segredo de justiça”, disse, acrescentando: “Eu não vou parar”.
A personal ainda rebateu críticas da defesa sobre supostas contradições em seu depoimento e afirmou que trechos teriam sido retirados de contexto.
Segundo ela, os objetos sexuais já haviam sido apresentados às autoridades, mas não foram detalhados anteriormente por orientação jurídica.
“Eu vim aqui, vou só dar uma passada pra explicar sobre essa tese que eles falam que eu entro em contradição, sobre os fragmentos que pegaram do meu verdadeiro depoimento em juiz e foram levar lá pros desembargadores. Isso, na verdade, nada mais foi pra ganhar um tempo pra tirar ele da cadeia e ele fugir”, disse.
O caso
Sanderson Ferreira de Castro Souza foi preso em 1º de setembro de 2024, acusado de agredir Débora. Em primeira instância, ele havia sido condenado a 15 anos e 9 meses de prisão em regime fechado, incluindo condenação por estupro.
No entanto, nesta terça-feira (10), a Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reformou parcialmente a sentença. A pena foi reduzida para 1 ano e 9 meses em regime aberto, com afastamento da condenação por estupro.
A decisão foi relatada pelo desembargador Lídio Modesto da Silva Filho e acompanhada pelos desembargadores Juvenal Pereira da Silva e Jorge Luiz Tadeu Rodrigues.
O caso ainda pode ser alvo de recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A defesa do policial sustenta a inexistência de provas suficientes para manutenção da condenação por estupro. O espaço permanece aberto para manifestação.
Outro lado
O FatoAgora entrou em contato com a defesa de Sanderson para pedir um novo posicionamento sobre os fatos apresentados, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto para manifestações.