- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (29) a Operação Imperium Messis, que investiga um esquema de corrupção envolvendo servidores do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e empresários do setor de exportação de alimentos.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Boa Vista e Cantá (RR) e Cuiabá (MT). A Justiça também determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores que somam R$ 1,8 milhão. A ação contou com a participação de 43 policiais federais e quatro auditores da CGU.
Esquema no Ministério da Agricultura
As investigações tiveram início após uma denúncia anônima que apontava irregularidades na Superintendência do Mapa em Roraima. De acordo com a apuração, o grupo suspeito transferiu o processo de fiscalização de mercadorias destinadas à exportação para a Venezuela — que antes era realizado nas instalações da Receita Federal em Pacaraima — para uma empresa privada em Boa Vista, que atuava como entreposto aduaneiro.
Segundo a CGU, há indícios de que servidores públicos recebiam pagamentos indevidos dessa empresa, por meio de intermediários e companhias de fachada, em troca de favorecimento em operações de exportação. O esquema envolveria pagamento de propina, lavagem de dinheiro e fraudes administrativas, configurando os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Risco à credibilidade do comércio exterior
O esquema colocava em risco a credibilidade das fiscalizações sanitárias e aduaneiras brasileiras, especialmente nas exportações de alimentos. Conforme a CGU, a conduta dos investigados afetava diretamente a competitividade do setor, beneficiando empresas específicas e prejudicando a livre concorrência.
Em nota, a Controladoria destacou que o combate a esse tipo de fraude “é essencial para restaurar a integridade e a confiança da sociedade nas instituições públicas”. A operação, segundo o órgão, busca garantir um ambiente de negócios justo, no qual o serviço público atue em prol do interesse coletivo, e não de vantagens privadas.
Canal de denúncias
A CGU reforçou que denúncias sobre irregularidades semelhantes podem ser feitas, inclusive de forma anônima, por meio da plataforma Fala.BR, na opção “Operações CGU”.
As investigações seguem em andamento, e os nomes dos alvos não foram divulgados para preservar o sigilo das apurações.