- CUIABÁ
- DOMINGO, 22 , MARÇO 2026
O cenário político de Várzea Grande registrou uma escalada de tensão na última sexta-feira (20). O presidente do diretório estadual do PL, Ananias Filho, protocolou um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB). Paralelamente, a prefeita Flávia Moretti (PL) ingressou com uma queixa-crime na Justiça contra o parlamentar, acusando-o do crime de injúria.
As representações, assinadas pelos advogados Gilmar D’Moura, Leonardo Benevides Alves e Mauricio Castilho Soares, fundamentam-se em declarações proferidas por Cerqueira durante uma sessão ordinária. Na ocasião, o emedebista afirmou que, se o vereador Bruno Rios (líder do governo) desejasse “leitear” a prefeita, deveria fazê-lo fora do plenário.
Conflito de Narrativas: Regionalismo vs. Misoginia
A fala gerou imediata reação negativa. Enquanto setores políticos acusam o vereador de misoginia e violência política de gênero, Wanderley Cerqueira defende-se alegando o uso de um “linguajar cuiabano”. Segundo ele, o termo seria um sinônimo regional para “bajular”, sem conotação sexual ou ofensiva.
No entanto, para Ananias Filho, o argumento da defesa não sustenta a gravidade do ato. Na peça protocolada, o dirigente partidário sustenta que a fala atingiu a honra institucional da prefeita:
“Não se tem dúvidas de que a fala foi dirigida à prefeita e, mais, que a intenção do presidente era justamente compará-la a um animal”, pontuou Ananias, rebatendo a justificativa de regionalismo.
Reincidência e Dolo
Na queixa-crime enviada ao Poder Judiciário, Flávia Moretti reforça a tese de que houve dolo (intenção de ofender). A prefeita argumenta que o comportamento de Cerqueira é recorrente, citando que outras mulheres em cargos de poder na atual gestão municipal também já teriam sido alvos de ataques do parlamentar.
“A materialidade delitiva está demonstrada pelos registros audiovisuais e pelas reportagens. As declarações posteriores do querelado, que tentou justificar sua fala como expressão regional, não são suficientes para afastar o teor objetivamente ofensivo da conduta”, destaca o texto da representação.