- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu, na manhã desta segunda-feira (3), um policial penal investigado por corrupção passiva, facilitação da entrada de celular em presídio e comércio ilegal de armas e munições. A ação, denominada Operação Sacramento, foi deflagrada pela Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, com apoio da Corregedoria-Geral da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
O servidor, que já havia sido detido em março deste ano durante a Operação Assepsia, voltou a ser alvo da polícia após surgirem novos indícios de envolvimento em atividades criminosas dentro e fora do sistema prisional. Apesar de estar afastado do cargo e monitorado por tornozeleira eletrônica, ele continuava sob investigação.
Cumprimento de mandados
Nesta nova fase, foram cumpridas seis ordens judiciais — cinco em Pontes e Lacerda e uma em Cuiabá. Entre elas, quatro mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva contra o policial penal. Em Cuiabá, também foi realizada busca na residência de outro agente, investigado por possível participação no esquema.
De acordo com o delegado Gabriel Chadud, o policial preso é acusado de negociar a entrada de um aparelho celular no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pontes e Lacerda em troca de dinheiro.
“Ele manteve contato com pessoas de fora interessadas em enviar o celular a um preso específico. O policial negociou o valor, recebeu o pagamento e intermediou a entrada do aparelho no presídio, diretamente ou por meio de comparsas”, explicou o delegado.
Venda ilegal de armas e munições
As investigações também apontam que o servidor atuava na comercialização clandestina de armas de fogo e munições, incluindo calibres restritos, como fuzis e pistolas automáticas. Segundo Chadud, o policial mantinha uma rede de contatos na cidade para negociar valores, modelos e entregas.
“Ele realizava as negociações de calibres, preços e transporte. Há indícios de que um policial penal de Cuiabá esteja envolvido como um dos fornecedores das armas e munições”, acrescentou.
Desdobramento de operação anterior
O caso é um desdobramento da Operação Assepsia, que em março investigou a venda clandestina de acesso à internet dentro do mesmo presídio. Novas provas surgiram a partir dos elementos colhidos naquela investigação. Desde então, o servidor estava suspenso das funções públicas, mas, segundo a Polícia Civil, continuava envolvido em práticas ilícitas.
Acompanhamento e medidas administrativas
A Corregedoria-Geral da Sejus acompanha o caso e instaurou procedimento disciplinar para apurar a conduta dos dois agentes. Caso as irregularidades sejam comprovadas, ambos poderão responder criminalmente e também perder o cargo público.
Origem do nome da operação
O nome “Sacramento” foi escolhido em referência ao fato de o policial penal também exercer atividades como pastor religioso, simbolizando, segundo a polícia, a contradição entre o discurso de fé e as condutas criminosas atribuídas a ele.