- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


“Não vamos ficar caladas”. Com essas palavras a prefeita de Pedra Preta, Iraci Souza (PSDB), reagiu à decisão da Câmara Municipal que cassou o mandato do vereador Gilson da Agricultura (União) por quebra de decoro parlamentar. O parlamentar chamou a gestora de “cachorra viciada” durante sessão em setembro, o que levou à instauração de uma Comissão Processante.
“Não vamos ficar caladas”, disse Iraci, com voz firme, ao comentar o resultado. Segundo a prefeita, acompanhar o plenário lotado, especialmente por mulheres, trouxe à tona uma mistura de alívio, dor e força. “A Justiça foi feita”, desabafou, ao lembrar que, por semanas, reviveu o constrangimento da ofensa enquanto aguardava o desfecho do processo.
Iraci contou que o apoio recebido de lideranças estaduais, incluindo a primeira-dama Virgínia Mendes e deputados, serviu como combustível num momento em que se sentiu vulnerável, mas decidida a enfrentar a situação. “Isso me fortaleceu muito. Nós não podemos nos calar só porque somos mulheres. A luta continua por todas nós”, afirmou, emocionada.
Para a gestora, a cassação é um divisor de águas na maneira como Pedra Preta encara a violência política de gênero. Ela se disse esperançosa de que o caso faça outras mulheres repensarem sua relação com a política — não como um espaço hostil, mas como um lugar que também lhes pertence. “É o início de um marco. Aqui, em Pedra Preta, isso precisava acontecer”, disse.
Iraci recordou que, na legislatura anterior, havia mais mulheres na Câmara, mas hoje nenhuma ocupa cadeira. Para ela, esse afastamento tem causa evidente. “Elas têm medo. E o medo cala”, afirmou, destacando que episódios como o que enfrentou ajudam a explicar o recuo feminino no ambiente político.
Ainda assim, a prefeita reforça que a mensagem final é de coragem e ocupação de espaço. Ela afirma que deseja que outras mulheres vejam no episódio um empurrão, não uma barreira. “Espero que criem força e coragem. Muitas querem gritar, mas não conseguem”, disse, ressaltando a necessidade de políticas públicas que deem suporte às lideranças femininas.
Ao fim da entrevista, Iraci resumiu a convicção que carrega após o desfecho do caso. “A mulher não tem que estar onde os outros querem, mas onde ela quiser. Ela pode ocupar qualquer espaço dentro da sociedade”, afirmou, em tom de recado e promessa.