terça-feira, 7 - abril 2026 - 16:30



CUBA E ESTADOS UNIDOS

Presidente de Cuba acusa governo Trump de danos criminais


Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante fórum econômico em Minsk
Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, durante fórum econômico em Minsk

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, denunciou os “danos criminais” provocados pelo embargo de petróleo dos Estados Unidos contra a ilha. A declaração foi feita após reunião com os congressistas democratas americanos Pramila Jayapal, de Washington, e Jonathan Jackson, de Illinois, que visitaram Cuba para avaliar os impactos das recentes políticas do governo Trump. O encontro contou ainda com a presença do ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, e membros do parlamento cubano.

Segundo Díaz-Canel, as sanções causaram impactos significativos na infraestrutura e na vida cotidiana do país. Em mensagem publicada na rede social X, ele afirmou que denuncia “os danos criminais causados pelo embargo, particularmente as consequências do bloqueio energético decretado pelo atual governo dos EUA e suas ameaças de ações ainda mais agressivas”. O presidente cubano reforçou que seu governo permanece aberto a “um diálogo bilateral sério e responsável” com Washington, buscando soluções para as divergências existentes.

Os congressistas democratas descreveram as medidas como uma “punição coletiva cruel” e defenderam o fim imediato do embargo de petróleo, após constatarem pessoalmente seu efeito devastador durante a visita de cinco dias. “Praticamente um bombardeio econômico à infraestrutura do país, causando danos permanentes. Deve parar imediatamente”, afirmaram Jayapal e Jackson em declaração conjunta.

Os Estados Unidos mantêm um embargo econômico contra Cuba desde a década de 1960, ao qual o governo Trump acrescentou, neste ano, um bloqueio específico ao envio de petróleo para a ilha, ameaçando aplicar tarifas adicionais a países fornecedores de petróleo bruto.

Na última semana, o petroleiro russo Anatoly Kolodkin chegou à ilha com 100 mil toneladas de combustível, equivalente a cerca de 700 mil barris, o primeiro carregamento de petróleo bruto recebido por Cuba em três meses. Especialistas destacam que o combustível precisará ser transportado para Havana para refinamento e será suficiente para suprir o país por pouco mais de 10 dias.

A escassez de petróleo agravou os apagões, prejudicando hospitais, interrompendo serviços públicos, afetando o transporte de alimentos e gerando descontentamento popular. Em algumas cidades, surgiram protestos incomuns, com cidadãos batendo panelas e acendendo fogueiras durante a escuridão.

Jayapal e Jackson relataram impactos graves na população: bebês prematuros em incubadoras correndo risco devido à falta de eletricidade, crianças impossibilitadas de frequentar escolas, pacientes com câncer sem acesso a tratamento, escassez de água, comércios fechados e famílias incapazes de conservar alimentos, enquanto a produção local cobre apenas 10% das necessidades.

Segundo os congressistas, o governo cubano tem dado sinais de abertura, com medidas como a liberalização de certos investimentos cubano-americanos, a libertação de mais de 2 mil prisioneiros e a presença de equipe técnica do FBI para investigar o tiroteio envolvendo soldados cubanos e tripulantes de um barco em fevereiro.

Os congressistas afirmam que os avanços em Cuba agora dependem de mudanças na política dos Estados Unidos, que ainda aplica medidas econômicas coercitivas e pressão militar herdadas da Guerra Fria. O presidente Donald Trump, por sua vez, exige reformas políticas, econômicas e de direitos humanos, enquanto Díaz-Canel acusa Washington de interferência e de provocar a crise energética na ilha.


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