quarta-feira, 28 - janeiro 2026 - 12:24



OPERAÇÃO GORJETA

Relatório aponta que vereador Chico 2000 usou propina para 'reformar' pousada de luxo


Reprodução
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Um relatório da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor) aponta que o vereador Chico 2000 (sem partido) teria usado dinheiro oriundo de propina para custear uma obra em um restaurante de sua propriedade, em uma pousada de luxo, às margens da MT-251, em Cuiabá. A suspeita integra as investigações da Operação Gorjeta, deflagrada nesta terça-feira (27) pela Polícia Civil.

Segundo o documento, em abril do ano passado, o parlamentar solicitou um orçamento para a instalação de esquadrias no restaurante/pousada Estância Águas da Chapada, localizado às margens da rodovia Emanuel Pinheiro (MT-251). O valor apresentado pelo prestador de serviço foi de aproximadamente R$ 20 mil, com prazo de pagamento até o dia 9 de abril.

As investigações revelam que, na data limite acordada, o pagamento foi efetuado. O montante teria sido transferido via PIX pelo Instituto Sem Limite Esporte e Eventos, pertencente ao empresário João Nery Chiroli, que também figura entre os alvos da operação. As tratativas entre o vereador e o prestador de serviço foram interceptadas pela Deccor.

No relatório, a polícia afirma que o repasse considerado como “propina” foi articulado por Chico 2000, Chiroli e Rubens Vuolo Júnior, conhecido como “Binho Gabinete”, até chegar ao pedreiro Jovani, responsável pela obra.

Ainda conforme a apuração, o pagamento ocorreu logo após a liberação de uma emenda parlamentar no valor de R$ 600 mil, referente ao Termo de Fomento nº 01/2025-SMESP. O recurso foi creditado na conta do IBRACE em 8 de abril de 2025 e, no mesmo dia, houve a transferência de R$ 470,2 mil para a empresa Sem Limite Esporte e Eventos Ltda, de onde teria saído o valor destinado à obra particular.

Operação Gorjeta

A Operação Gorjeta investiga um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares na Câmara Municipal de Cuiabá, envolvendo a Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. De acordo com a Polícia Civil, vereadores, servidores públicos e empresários teriam se associado para direcionar recursos públicos a um instituto e a uma empresa, com posterior retorno de parte do dinheiro ao parlamentar responsável pela emenda.

Ao todo, foram cumpridos 75 mandados judiciais, incluindo buscas e apreensões, sequestro de bens e valores, além do afastamento do vereador Chico 2000 e de outros servidores de suas funções públicas.


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