- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 23 , MARÇO 2026
O secretário de Infraestrutura e Logística de Mato Grosso, Marcelo Oliveira, negou qualquer tipo de interferência política nos processos de licitação conduzidos pela pasta. A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), após o Ministério Público de Mato Grosso abrir investigação sobre a contratação de uma empresa ligada ao deputado estadual Valmir Moretto.
A apuração envolve a vitória da empresa em obras de pavimentação na região Oeste do Estado. Em resposta, o secretário afirmou que os procedimentos seguem critérios técnicos e são conduzidos de forma transparente.
“A Sinfra é totalmente republicana. Nenhuma licitação sofre interferência de quem quer que seja. Não admito nem cogitar uma situação dessas”, declarou.
Marcelo Oliveira destacou ainda que todo o processo ocorre de forma digital, por meio de uma plataforma do Ministério do Planejamento, o que, segundo ele, impede qualquer tipo de influência externa. “As licitações são virtuais, com disputa entre empresas. Não há espaço para interferência”, reforçou.
Na quinta-feira (19), o Ministério Público informou que instaurou investigação cível e solicitou ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso autorização para abertura de apuração criminal contra Moretto. A medida foi motivada pela divulgação de vídeos em que o parlamentar aparece comemorando a assinatura dos contratos.
Em uma das gravações, o deputado chega a afirmar, ao lado do governador Mauro Mendes, que uma das empresas contratadas seria “minha”.
Os contratos firmados preveem a construção de uma ponte de 30 metros na MT-473, com investimento de R$ 2,7 milhões, além da pavimentação de 40,49 quilômetros da rodovia, dividida em dois trechos que somam R$ 58,8 milhões.
A legislação brasileira proíbe a participação de parlamentares em licitações públicas, como forma de evitar conflitos de interesse e garantir igualdade entre os concorrentes. O Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso também possui normas que vedam a participação de políticos e empresas a eles vinculadas nesses processos.
Em entrevista concedida na quarta-feira (18), Moretto afirmou que a empresa investigada não está em seu nome desde 2018, sendo atualmente de seu irmão. Ele alegou, no entanto, que mantém o hábito de se referir ao negócio como sendo seu.