- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 13 , JANEIRO 2026


ALLAN MESQUITA
Da Reportagem
O segurança Rairo Andrey Borges, de 21 anos, bebia um copo de whisky com enérgico enquanto escrevia uma “carta de despedida” para a família, antes de matar o próprio filho, Davi Lucca da Silva Lemos, de 2 anos e 5 meses, na noite desta sexta-feira (2), em Sorriso (420 km de Cuiabá). Segundo depoimento à Polícia Civil, ele não se lembra de mais nada após esse momento e disse ter sofrido um “apagão”.
“Ele fala que não se lembra de nada, que a única coisa que ele lembra era de estar escrevendo a carta e estar escrevendo a mensagem no aparelho celular, tomando um copo de whisky com energético e o filho deitado na cama assistindo vídeo no celular. Ele não se recorda, e disse que depois disso teve um apagão. Davi Lucca da Silva Lemos, de apenas dois anos”, relatou a delegada Laryssa Crisóstomo.
A carta deixada para familiares mostra que Rairo não aceitava o fim do relacionamento com a ex-namorada e estava profundamente abalado com a situação. No texto, ele descreve sentimentos de perda, culpa e desespero, afirmando que ainda alimentava esperança de reconstruir a família, mas que essa expectativa foi destruída ao descobrir que a ex-namorada havia iniciado um novo relacionamento, envolvendo um amigo que trabalhava com ele.
O crime ocorreu em uma kitnet, onde o segurança estava com o filho antes de cometer o homicídio e, posteriormente, tentar contra a própria vida. Vizinhos estranharam a falta de respostas e arrombaram a porta, encontrando o homem em estado grave e o menino sobre a cama, além da carta de despedida. Rairo foi socorrido e preso posteriormente.
No documento, o suspeito pede perdão à mãe, à irmã, ao pai, a familiares e amigos, e manifesta afeto pelo filho, a quem descreve como o bem mais precioso de sua vida. “Levei meu filho comigo porque ele era tudo pra mim”, diz o texto. Em diferentes trechos, Rairo afirma que não conseguiu suportar o sofrimento psicológico e que a depressão o venceu: “Eu sempre fui forte, mas infelizmente a depressão me venceu”.
O caso segue sob investigação.