terça-feira, 31 - março 2026 - 19:18



PROTEÇÃO INFANTIL

Senado francês aprova lei para proibir uso de redes para menores de 15 anos


Senadores franceses debatendo projeto de lei que proíbe acesso de menores de 15 anos às redes sociais
Senadores franceses debatendo projeto de lei que proíbe acesso de menores de 15 anos às redes sociais

O Senado da França aprovou, na noite de terça-feira (31), um projeto de lei que prevê a restrição do acesso de crianças menores de 15 anos às redes sociais. A iniciativa acompanha um movimento global de endurecimento das regras para uso dessas plataformas por menores de idade — medida considerada impopular entre adolescentes, mas que conta com apoio de parte de pais e educadores.

O presidente Emmanuel Macron defende que a nova legislação entre em vigor já no início do próximo ano letivo, em setembro. Caso seja confirmada, a França seguirá o exemplo da Austrália, que implementou, em dezembro, uma proibição pioneira para menores de 16 anos em plataformas como Facebook, Snapchat, TikTok e YouTube.

Apesar de o texto ter sido aprovado inicialmente pela Câmara dos Deputados como uma proibição ampla, os senadores alteraram a proposta em comissão. A nova versão prevê o bloqueio apenas de plataformas consideradas prejudiciais ao público infantil, enquanto outras poderão ser acessadas mediante autorização dos pais. A definição dessas plataformas será feita posteriormente por decreto.

Para o senador David Ros, uma proibição total poderia enfrentar questionamentos constitucionais, ao ferir direitos de crianças e adolescentes e comprometer o princípio da autoridade parental.

O debate ocorre em meio à crescente preocupação internacional com os impactos das redes sociais sobre a saúde mental de jovens. Na semana passada, um júri em Los Angeles considerou as empresas Meta e Google, do grupo Alphabet, negligentes por desenvolverem plataformas consideradas prejudiciais aos jovens, responsabilizando-as por danos em um caso que pode abrir precedente para outras ações.

Já a senadora Evelyne Corbiere Naminzo ponderou que “proibição não é educação”, argumentando que restringir o acesso não ensina adolescentes a utilizar as redes sociais de forma consciente e saudável.

Com a aprovação no Senado, o projeto ainda pode enfrentar impasse entre as duas casas legislativas. No entanto, a palavra final caberá à Câmara dos Deputados, que poderá manter ou revisar as alterações propostas pelos senadores.


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