- CUIABÁ
- DOMINGO, 15 , MARÇO 2026
A senadora Margareth Buzetti (PSD-MT) elevou o tom das críticas à eleição da deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. Hilton fez história nesta quarta-feira (11) ao se tornar a primeira mulher trans a assumir o comando do colegiado, sendo eleita com 11 votos favoráveis e dez em branco.
Em declarações recentes, Buzetti sustentou que a pauta feminina deve observar critérios biológicos. “Eu sou mulher, gestei porque tinha útero. Esse é um direito meu e de todas nós. Ela não tem e nunca vai ter”, afirmou a senadora mato-grossense, enfatizando o que considera distinções intransponíveis entre mulheres cisgênero e transgênero.
Embate de Narrativas
A senadora também utilizou comparações sobre cuidados médicos para ilustrar seu posicionamento. “Quando ela tiver 40 anos, não vai ao ginecologista, terá que ir ao proctologista. Nós vamos ao ginecologista. Isso é biológico; não adianta dizer que é igual, porque não é”, disparou. Apesar do tom incisivo, a parlamentar ressaltou que respeita o resultado da votação, mas que manterá o foco no que define como “pautas prioritárias das mulheres”.
Em seu discurso de posse, Erika Hilton adotou uma postura de conciliação, afirmando que pretende conduzir a comissão com diálogo e foco nas diversas realidades enfrentadas pelas mulheres brasileiras. Ela substitui a deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) na liderança do grupo.
Composição da Mesa Diretora
A eleição que alçou Hilton à presidência também definiu as demais ocupantes da mesa diretora da comissão, todas eleitas com a mesma margem de votação (11 votos a favor e dez em branco):
1ª Vice-presidência: Laura Carneiro (PSD-RJ);
2ª Vice-presidência: Adriana Accorsi (PT-GO);
3ª Vice-presidência: Socorro Neri (PP-AC).
O embate entre as parlamentares reflete a polarização de conceitos sobre identidade de gênero e direitos biológicos que atualmente divide opiniões no Congresso Nacional.