- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 10 , ABRIL 2026
Um ano após o assassinato de Ney Müller Alves Pereira, o ex-procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Luiz Eduardo de Figueiredo Rocha e Silva, permanece preso, sem data definida para julgamento pelo Tribunal do Júri. Nesse período, ele já recebeu R$ 590.327,94 em salários pagos pela Casa de Leis.
O crime ocorreu na rua Edgar Vieira, ao lado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no bairro Boa Esperança, em Cuiabá. Ney foi morto com um tiro na cabeça enquanto caminhava pela região.
A mãe da vítima, Iracema Alves Ferreira da Silva, relata que ainda não conseguiu visitar o túmulo do filho, diante da dor e da demora no andamento do processo judicial. “Hoje faz um ano e ainda não foi marcado o júri, mas eu creio na justiça divina. Ele assassinou meu filho a sangue frio”, desabafa.
Iracema conta que Ney apresentava transtornos psicológicos desde a infância e fazia tratamento psiquiátrico. No momento do crime, ele estava desaparecido após fugir de casa durante uma crise. Segundo a mãe, quando estava medicado, o filho era carinhoso com a família. “O que ele fez não matou só o meu filho, acabou com a minha vida”, lamenta.
De acordo com a família, não houve qualquer tipo de apoio financeiro após a morte. Dois dias depois do crime, o presidente da ALMT, deputado Max Russi, publicou em Diário Oficial a dispensa de Luiz Eduardo da função gratificada de subprocurador-geral de Gestão de Pessoas.
Apesar disso, o ex-procurador segue como servidor efetivo e continua recebendo salários. Ele ingressou na Assembleia em 2015 por concurso público. Após a prisão, em abril de 2025, recebeu R$ 444.072,42 até dezembro. Em 2026, com reajustes e adicionais, a remuneração mensal passou a R$ 48.751,84. Nos três primeiros meses deste ano, os pagamentos somaram R$ 146.255,52.
Em nota, a Assembleia Legislativa informou que adotou as medidas administrativas cabíveis, incluindo a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que ainda está em tramitação. O órgão afirma que o servidor está preso, afastado das funções e sem acesso às dependências da instituição, e que a situação funcional e remuneratória segue os limites legais até a conclusão do processo.
No campo judicial, a defesa de Luiz Eduardo apresentou recursos para evitar que ele fosse submetido ao Tribunal do Júri, mas o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve, por unanimidade, a decisão de levá-lo a julgamento popular.
Segundo denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o crime foi motivado por vingança. O acusado teria perseguido a vítima após um homem, com características semelhantes às de Ney, danificar seu veículo em um posto de combustíveis.
Após deixar a família em casa, Luiz Eduardo saiu à procura do suspeito. Ao encontrar Ney, chamou a vítima na rua e, quando ela se aproximou, efetuou o disparo que causou sua morte. Em seguida, fugiu do local.
No dia seguinte, ele se apresentou à polícia e foi preso em flagrante por homicídio. Em depoimento, afirmou não saber o que motivou sua ação no momento do crime.
O caso segue sem definição judicial, enquanto a família aguarda a realização do julgamento.