- CUIABÁ
- SÁBADO, 10 , OUTUBRO 2026
O corpo do professor Breno Antônio Humberto de Moraes, de 25 anos, foi velado e sepultado na manhã deste sábado (10), em Várzea Grande, sob forte comoção de familiares e amigos, que cobraram Justiça pelo assassinato. O jovem estava desaparecido desde 26 de setembro e foi encontrado morto na noite de quinta-feira (8), em uma área de brejo no bairro 13 de Setembro.
O corpo chegou à Capela da Funerária São Antônio na noite de sexta-feira (9), onde familiares e amigos prestaram as últimas homenagens. Durante a despedida, pessoas próximas à vítima expressaram indignação com a violência do crime e pediram que todos os envolvidos sejam responsabilizados.
Juliana, amiga de Breno, lamentou a morte e descreveu o professor como uma pessoa tranquila e respeitosa. Emocionada, ela classificou o crime como uma covardia e afirmou que a dor da perda será difícil de superar.
“É muito lamentável o que aconteceu. O que fizeram com ele foi muita covardia. O Breno era uma pessoa muito tranquila, uma pessoa muito respeitosa. Ninguém tem palavras para descrever a tamanha dor que nós estamos sentindo neste momento”, declarou.
A amiga também cobrou punição aos responsáveis pelo assassinato. “Nós queremos muita Justiça, mas muita Justiça mesmo, que todos os envolvidos vão presos”, afirmou.
Marcela, também amiga do professor, disse que nada justifica a violência contra Breno e ressaltou que o grupo não aceitará ataques à memória da vítima.
“Esperamos que a Justiça seja feita e que a lei sirva para punir todos que fizeram isso com o Breno. Nada, nada justifica o que fizeram com ele”, disse ao Cadeia Neles.
Ela também manifestou indignação com possíveis comentários sobre a vítima. “Nós não vamos permitir que difamem o Breno ou que levantem falso testemunho contra ele”, acrescentou.
Extrema violência
Os resultados preliminares do exame médico-legal apontam que Breno sofreu 13 golpes de arma branca, segundo as informações repassadas sobre a perícia. Os achados iniciais identificaram perfurações profundas nas regiões do tórax e do abdômen, algumas com trajetória transfixante, quando o ferimento atravessa os tecidos.
Também foi identificada uma perfuração na bolsa escrotal, sem lesão correspondente no pênis. O instrumento utilizado e a causa oficial da morte ainda dependem da conclusão do laudo necroscópico.
O exame radiológico realizado durante os procedimentos não identificou projéteis de arma de fogo. A equipe médico-legal trabalha na finalização do documento, que deverá esclarecer as circunstâncias da morte.
Polícia investiga possível participação de duas pessoas
O assassinato é investigado pela Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sob responsabilidade do delegado Bruno Abreu. O principal suspeito, o serralheiro Elias Samuel Delgado da Silva, de 26 anos, admitiu parcialmente os fatos durante depoimento. Ele é casado e possui filhos.
Uma das linhas de investigação apura se uma suposta chantagem envolvendo o professor teria motivado o crime. Conforme a versão apresentada pelo suspeito, Breno ameaçava revelar à esposa dele fotos e conversas envolvendo mulheres. A hipótese ainda precisa ser confirmada pelos investigadores, já que os investigadores também apuram se os dois também mantinham uma relação.
Segundo o delegado, um segundo homem, amigo de Elias, também teria sido alvo de supostas ameaças e já foi identificado, mas é procurado pela polícia. Uma das possibilidades investigadas é que os dois tenham combinado o assassinato.
Durante o interrogatório, Elias negou ter ido ao local onde Breno foi morto e apresentou uma versão segundo a qual outras pessoas teriam levado a vítima até a área e cometido o crime. De acordo com o delegado, o suspeito apresentou versões contraditórias e demorou a informar a localização do corpo, mas posteriormente conduziu os policiais até o local.
O celular da esposa do investigado foi apreendido e deverá ser analisado para auxiliar na apuração da dinâmica do crime e de uma possível participação de outras pessoas.