- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 4 , MAIO 2026
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou a abertura de inquérito policial para investigar a prefeita de Várzea Grande, Flávia Petersen Moretti (LL), por suposto esquema de corrupção e “religações fantasmas” na autarquia. A decisão foi assinada pelo desembargador Orlando de Almeida Perri e atende a um pedido do Ministério Público Estadual (MPE).
De acordo com a decisão, há indícios de irregularidades no Departamento de Água e Esgoto do município (DAE/VG), incluindo possíveis práticas de peculato, fraude administrativa e manipulação indevida de sistemas. “Verifica-se a presença de indícios da prática de infrações penais”, destacou o magistrado ao autorizar a instauração do inquérito.
As suspeitas surgiram a partir de uma auditoria técnica que apontou inconsistências em sistemas internos, como divergências em backups, falhas em dados de faturamento e registros considerados anômalos de corte e religação de água. Segundo o documento, esses registros podem indicar a existência de “religações fantasmas”, com possível pagamento indevido de produtividade a servidores e potencial desvio de recursos públicos.
O material também cita que apurações internas teriam sido interrompidas após mudanças na gestão do órgão, além de relatar exonerações e possíveis medidas de retaliação contra envolvidos na denúncia. Há ainda menção a áudios que indicariam supostos esquemas de corrupção e possível conhecimento prévio dos fatos por parte da prefeita.
Na decisão, o desembargador determinou o envio do caso ao Núcleo de Competência Originária (NACO) para aprofundamento das investigações, com diligências como perícias técnicas, análise de dados e oitiva de testemunhas. “Determino […] a adoção das diligências cabíveis, observadas as cautelas de estilo e a celeridade que o caso requer”, afirmou.
O inquérito tramitará sob sigilo, conforme previsto no Código de Processo Penal. Até o momento, não há manifestação da defesa da prefeita sobre o caso.