- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 27 , FEVEREIRO 2026
Em um movimento estratégico para a integração econômica global, o Uruguai e a Argentina tornaram-se, nesta quinta-feira (26), os primeiros países a ratificar o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE). A aprovação parlamentar nos dois países vizinhos marca um passo decisivo para a consolidação daquela que será a maior zona de livre comércio do mundo.
No Uruguai, a Câmara dos Deputados aprovou o texto por 91 votos a 2, consolidando a decisão após a ratificação unânime do Senado no dia anterior. Já na Argentina, o processo foi concluído no Senado com uma maioria expressiva: 69 votos a favor e apenas 3 contra.
Um mercado de 700 milhões de consumidores
O tratado, assinado em 17 de janeiro em Assunção, abrange os 27 Estados-membros da UE e os quatro fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai). O impacto econômico projetado é massivo:
Alcance: Mais de 700 milhões de consumidores.
PIB: Os blocos reunidos representam 30% do Produto Interno Bruto mundial.
Tarifas: O acordo prevê a eliminação de impostos de importação sobre mais de 90% do comércio bilateral.
“É um marco histórico e um sinal claro para a Europa. O acordo deixou de ser um debate para se tornar uma construção”, afirmou o chanceler uruguaio, Mario Lubetkin, embora tenha reconhecido que a implementação prática ainda enfrentará desafios.
Desafios na Europa e Resistência Agrícola
Apesar do avanço na América do Sul — onde Brasil e Paraguai devem concluir suas votações nos próximos dias —, o pacto enfrenta turbulências no continente europeu.
A França lidera uma forte resistência interna, impulsionada por protestos do setor agropecuário que teme a concorrência de produtos sul-americanos, como carne, soja e mel. Em resposta, o Parlamento Europeu encaminhou o documento ao Tribunal de Justiça do bloco para verificar sua legalidade, suspendendo temporariamente a implementação formal.
Troca Comercial: O que ganha cada lado?
O acordo estabelece uma via de mão dupla com benefícios setoriais específicos:
| Exportações da UE para o Mercosul | Exportações do Mercosul para a UE |
| Automóveis e autopeças | Carne bovina e aves |
| Máquinas e equipamentos | Soja e farelos |
| Vinhos e bebidas alcoólicas | Açúcar e mel |
| Queijos e produtos lácteos finos | Arroz e frutas |
A Comissão Europeia, sob a presidência de Ursula von der Leyen, possui a prerrogativa de implementar o acordo de forma provisória, mas ainda não sinalizou quando — ou se — tomará essa decisão diante das pressões políticas internas.