- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 29 , AGOSTO 2025
As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países têm provocado reações variadas no cenário internacional, revelando a complexidade crescente do comércio global. Enquanto algumas nações optam por retaliações diretas, outras seguem caminhos diplomáticos — com resultados, até agora, desiguais.
China adota postura firme e obtém concessões parciais
A China tem se destacado como o país mais bem-sucedido na resposta às pressões tarifárias norte-americanas. Diante da ameaça de tarifas de até 145% sobre produtos chineses, Pequim reagiu com a promessa de aplicar sobretaxas superiores a 100% sobre mercadorias dos Estados Unidos. Essa posição firme forçou Washington a retornar à mesa de negociações, resultando em um acordo para estender o diálogo por mais três meses. Ainda assim, os produtos chineses continuam sujeitos a tarifas de 30%, o que sinaliza uma trégua parcial, mas não uma resolução definitiva.
Diplomacia indiana não evita tarifas pesadas
A Índia, sob a liderança do primeiro-ministro Narendra Modi, optou por uma estratégia conciliatória. Modi visitou a Casa Branca e se comprometeu a ampliar as importações de armamentos, petróleo e outros produtos americanos. No entanto, essa aproximação não impediu a aplicação de tarifas de 50% sobre bens indianos, frustrando as expectativas do governo indiano quanto à eficácia do diálogo direto.
Canadá recua; União Europeia reduz impacto
O Canadá, aliado histórico dos Estados Unidos, inicialmente anunciou medidas de retaliação, mas recuou recentemente como gesto de boa vontade para viabilizar futuras negociações. A decisão canadense ainda não surtiu efeito concreto, mas demonstra a cautela de países dependentes da parceria com Washington.
Já a União Europeia conseguiu um avanço mais expressivo: reduziu as tarifas ameaçadas de 30% para 15%. Apesar de ainda muito acima da taxa anterior de 2%, a moderação indica espaço para acordos progressivos no bloco europeu.
Pressões afetam até a economia dos EUA
Apesar da postura agressiva do governo norte-americano, as tarifas também têm provocado efeitos colaterais internos. Sinais de aumento da inflação e o desgaste nas relações com parceiros estratégicos sugerem que a política tarifária dos EUA pode estar gerando consequências negativas para sua própria economia.
O cenário atual reforça os desafios enfrentados até mesmo pelas maiores economias mundiais para resistir à crescente pressão protecionista dos Estados Unidos — e expõe os limites das diferentes abordagens adotadas em um sistema comercial cada vez mais volátil.