- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 6 , FEVEREIRO 2026
A sessão da Câmara Municipal de Cuiabá desta quinta-feira (5) foi marcada por um bate-boca entre vereadores, após o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) expor uma suposta manobra para barrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) apresentada por ele para apurar denúncias envolvendo o secretário municipal William Leite de Campos.
O embate ocorreu após a vereadora Dra. Mara (Podemos), 2ª secretária da Mesa Diretora, pedir a palavra afirmando que o colega não poderia se resumir em um vereador apenas com “discurso e rostinho bonito”.
“O colega Daniel Monteiro citou a nossa Mesa de forma desrespeitosa…Você vai se resumir a um rostinho bonito e a um discurso bonito? Seu vocabulário é vasto, você é conhecedor jurídico, um garoto prodígio, mas está se perdendo na sua habilidade”, disparou.
Dra. Mara também negou ter recebido qualquer ligação para barrar a CPI e afirmou que as conversas que manteve foram por iniciativa própria. “Eu não recebi ligação nenhuma. A única ligação que eu fiz foi para o vereador Rafael Ranalli, que disse que não iria assinar a CPI”, declarou.
Em seguida, reforçou sua posição na base do prefeito Abilio Brunini (PL) e ainda provocou Daniel Monteiro ao questionar sua atuação parlamentar. “Eu prefiro ser base, mesmo recebendo migalhas, do que ser oposição e não conseguir fazer nada pelo povo. Quais são as indicações que você fez nos bairros de Cuiabá? Nenhuma. Você vem aqui, critica, expõe pessoas e quer forçar os colegas a aceitarem a sua verdade”, completou.
Após a fala, Daniel Monteiro solicitou direito de resposta, o que gerou novo impasse em plenário. O líder do prefeito, vereador Dilemário Alencar (União), questionou a concessão do tempo, alegando ausência de ofensa direta. Alguns parlamentares deixaram o plenário em meio à discussão, impedindo a continuidade dos trabalhos por falta de quórum.
A presidente da Câmara, Paula Calil (PL), convocou os vereadores para que as discussões pudessem prosseguir. A chefe do Legislativo pediu respeito entre os parlamentares. “Os posicionamentos divergentes fazem parte do processo. Esta Casa é democrática e o diálogo deve ser republicano”, afirmou.
No direito de resposta, Daniel Monteiro rebateu as críticas e negou ter atacado a Mesa Diretora ou a bancada feminina. “Todas as vezes que falo desta Casa ser pioneira por ter uma Mesa inteiramente ocupada por mulheres, é como sinal de futuro e de probidade. Sempre atribuí muita credibilidade a isso”, iniciou.
O vereador também acusou Dra. Mara de distorcer sua fala e de ter se sentido atingida sem ter sido citada nominalmente. “Eu não citei a senhora pelo nome. Infelizmente, a senhora tomou as dores e se alterou”, afirmou.
Daniel ainda disse que houve quebra de compromisso político por parte da parlamentar, que teria se comprometido a assinar a CPI e depois teria recuado. “A senhora tinha me dito que assinaria a CPI e depois voltou atrás. Em uma Casa parlamentar, a palavra precisa valer”, declarou.