quinta-feira, 19 - março 2026 - 11:09



FALTA DE ÁGUA E ESGOTO PRECÁRIO

VG despenca em ranking e está entre as 5 piores cidades do Brasil em saneamento


Allan Mesquita / Da Redação
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Várzea Grande está entre as 5 piores cidades do Brasil em saneamento básico, segundo o Ranking do Saneamento 2026 (ano-base 2024). O município aparece na 97ª posição entre as 100 maiores economias do país, em um cenário crítico marcado por baixo investimento, coleta limitada e tratamento irrisório de esgoto. O levantamento é do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados.

De acordo com o estudo recebido pelo FatoAgora, os 5 piores municípios entre as 100 maiores cidades do Brasil concentram os indicadores mais críticos do país. A última colocação é ocupada por Santarém, seguida por Porto Velho (99º), Rio Branco (98º), Várzea Grande (97º) e Parauapebas (96º). Juntas, essas cidades formam o grupo com pior desempenho em saneamento básico, marcado por baixa cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto, além de investimentos insuficientes e elevados índices de perdas na distribuição.

Em Várzea Grande, a distribuição de água e os serviços de esgoto são de responsabilidade do Departamento de Água e Esgoto, que enfrenta críticas recorrentes pela baixa eficiência. Atualmente, a prefeita Flávia Moretti (PL) tenta fazer a concessão dos serviços à iniciativa privada. Contudo, moradores relatam ficar dias sem receber água potável nas torneiras e, em muitos casos, precisam recorrer à compra de caminhões-pipa para suprir necessidades básicas.

Já Cuiabá manteve estabilidade e aparece na 46ª posição nacional, consolidando-se como referência regional, principalmente pelo volume de investimentos e pela cobertura dos serviços.

Enquanto a capital se destaca pelo esforço financeiro, com investimento médio anual de R$ 349,98 por habitante entre 2020 e 2024, acima do patamar considerado ideal pelo Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), estimado em R$ 225, Várzea Grande investe apenas R$ 47,25 por morador no mesmo período. O valor representa menos de 21% do necessário para atingir as metas de universalização previstas no Novo Marco Legal do Saneamento.

Cuiabá já alcançou 98,29% de cobertura de água e 84,30% de coleta de esgoto. Apesar disso, ainda enfrenta desafios no tratamento, que chega a 48,24%, indicando que parte significativa dos resíduos ainda não recebe o destino adequado.

Já em Várzea Grande, a situação é considerada crítica, especialmente no esgotamento sanitário. Apenas 28,54% da população conta com coleta de esgoto, enquanto o índice de tratamento é de apenas 2,64%, um dos piores do país. O dado coloca o município entre os 10 com menor eficiência nesse indicador em todo o ranking.

Outro problema grave compartilhado pelas duas cidades é o desperdício de água. Mesmo com diferenças nos investimentos, ambas apresentam perdas superiores a 50% na distribuição. Cuiabá registra perda de 53,28%, enquanto Várzea Grande chega a 59,03%, ficando entre os piores índices nacionais. Os números estão muito acima da meta de 25% estabelecida pelo Ministério das Cidades.

O levantamento aponta que, para alcançar a universalização dos serviços até 2033, será necessário não apenas manter o ritmo de investimentos em Cuiabá, mas avançar de forma urgente em Várzea Grande.


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