- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 5 , MARÇO 2026
A ex-servidora que denunciou o ex-secretário municipal de Trabalho de Cuiabá, William Leite de Campos, por assédio sexual, cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal para investigar o caso, mesmo que as apurações possam revelar outras irregularidades, incluindo possíveis casos de corrupção.
Em entrevista ao Rafael Milas, do Tudo Menos Política, a denunciante disse acreditar que a investigação precisa ser aprofundada e criticou a criação de uma comissão especial, em substituição à CPI.
“A minha opinião é que elas [vereadoras] estão tentando silenciar algo. Elas foram eleitas como mulheres para lutar pelas mulheres, porque foi muito esse o discurso na campanha. E agora eu acredito que é uma forma de silenciar algo grave que aconteceu”, afirmou nessa quinta-feira (5).
A ex-servidora afirmou ainda que não teme que uma investigação mais aprofundada possa trazer à tona outras irregularidades. Isso porque, segundo o boletim registrado na Polícia Civil, registra um episódio envolvendo dinheiro. De acordo com o relato, uma transferência foi realizada para a conta da vítima por meio da empresa MTPRESS Comunicação e Publicidade Ltda., em valor superior ao combinado, com orientação para que a diferença fosse usada em despesas determinadas pelo próprio chefe.
“Se a minha denúncia do assédio vai desbancar algo de corrupção, que desbanque então. A gente tem que lutar pelo que é certo e lutar contra a corrupção”, disse.
Diante da situação, a ex-servidora relata que procurou o então chefe de governo do município, Ananias Filho, para comunicar o ocorrido. Segundo ela, o gestor já teria conhecimento da situação e se prontificou a realocá-la para outro setor. “Antes mesmo de eu terminar minha fala, ele já sabia o que era, já sabia o que estava acontecendo. Ele se disponibilizou a me realocar para me tirar daquele ambiente de assédio”, relatou.
De acordo com a denunciante, no entanto, ela optou por deixar o ambiente de trabalho naquele momento em vez de aceitar a transferência de setor. “Não era só o assédio sexual, era um assédio moral muito grande também”, afirmou.
Vítima diz estar disposta a depor
O caso ganhou repercussão após o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) afirmar durante sessão da Câmara de Cuiabá que a vítima está disposta a depor no Legislativo e colaborar com eventuais investigações.
Segundo o parlamentar, a própria denunciante autorizou que ele informasse aos vereadores que está disposta a participar da apuração dos fatos. Apesar disso, parte dos parlamentares optou pela criação de uma comissão especial para acompanhar o caso, sob o argumento de que uma CPI poderia expor a vítima.
A medida foi criticada por vereadores que defendem a abertura da comissão de inquérito, argumentando que a CPI possui maiores poderes de investigação, como convocação de testemunhas e requisição de documentos.
Enquanto o impasse continua na Câmara, a denunciante reforça que deseja que o caso seja investigado.
“A CPI, nesse momento, é importante para me resguardar como mulher, como cidadã e também para resguardar outras possíveis vítimas que estão inseguras de falar”, concluiu.
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