quinta-feira, 22 - janeiro 2026 - 19:35



MP relata 40 golpes de faca e 'dor prolongada' de Raquel Cattani até a morte


Alair Ribeiro
Alair Ribeiro

Allan Mesquita
Reportagem / Nova Mutum – MT

O promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso (MPE), João Marcos de Paula Alves, iniciou a sustentação oral no Tribunal do Júri afirmando que Raquel Cattani foi vítima de um crime brutal, cometido com extrema violência e sem qualquer possibilidade de defesa, ao apresentar aos jurados a tese do Ministério Público contra os irmãos Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados pela morte da produtora rural, filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL), em Nova Mutum (264 km de Cuiabá).

Logo no início da fala, o representante do MP contextualizou o julgamento, agradeceu a atuação conjunta com a promotora Andreia e destacou a responsabilidade do Conselho de Sentença. “Hoje estamos aqui para julgar Rodrigo e Romero pelo crime brutal cometido contra Raquel”, afirmou, ressaltando que a acusação tem o compromisso de demonstrar, com base nas provas dos autos, a responsabilidade penal dos réus.

Durante a sustentação, o promotor anunciou o pedido de condenação de ambos por homicídio com quatro qualificadoras, motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou ou impossibilitou a defesa da vítima e crime praticado contra mulher em razão da condição do sexo feminino. Em relação a Rodrigo, o Ministério Público também requereu condenação pelo crime de furto. Segundo a acusação, Raquel foi morta de forma covarde, dentro da própria casa, sem chance de reação.

O promotor alertou os jurados para o risco de se considerar isoladamente a versão apresentada por Romero, afirmando que a narrativa, se ouvida sozinha, poderia causar uma impressão equivocada. Para o Ministério Público, a atuação em plenário teve como objetivo desconstruir essa versão, considerada incompatível com o conjunto robusto de provas técnicas e testemunhais reunidas durante a investigação.

Em um dos momentos mais emocionantes da sustentação, o promotor exibiu aos jurados uma fotografia de Raquel sorrindo e pediu que essa fosse a imagem preservada ao final do julgamento. Ele explicou que a acusação não deseja que a vítima seja lembrada pelas cenas do crime, mas como a jovem de 26 anos que tinha vida, planos e família.

Ao detalhar a dinâmica do homicídio, o promotor destacou a vulnerabilidade da vítima no momento do ataque. Segundo ele, Raquel estava em casa, usando o celular, em um ambiente que deveria representar segurança e tranquilidade, quando foi surpreendida por alguém que arrombou a janela, pegou uma faca e passou a desferir golpes de forma covarde e brutal.

A acusação também apresentou a cronologia do crime, desde a separação do casal até o assassinato, ressaltando a reaproximação entre os irmãos Romero e Rodrigo em 4 de julho de 2024, comprovada por provas técnicas, como mensagens extraídas do aplicativo WhatsApp. De acordo com o Ministério Público, na véspera do crime, Romero teria oferecido a Rodrigo um “serviço”, pelo qual pagou R$ 4 mil, valor que, segundo a denúncia, correspondia à execução do homicídio.

Outro ponto destacado foi a tentativa de criação de álibi. Conforme o promotor, Romero enviou fotos e vídeos das crianças no grupo de WhatsApp da família momentos antes e durante o período em que o crime foi cometido, com o objetivo de simular normalidade e afastar suspeitas sobre sua participação.

O promotor também ressaltou que Raquel sofreu intensamente antes de morrer. O laudo pericial apontou 40 ferimentos de faca, além de escoriações no rosto, golpes desferidos inclusive pelas costas e na nuca, mesmo após a vítima já estar caída. A causa da morte foi hemorragia associada à broncoaspiração, indicando, segundo o Ministério Público, um cenário de dor prolongada, angústia e sofrimento extremo.

Entre as provas técnicas, a acusação destacou a evidência genética encontrada no banheiro da residência da vítima, com perfil compatível exclusivamente com Rodrigo, além dos dados de geolocalização e conexão de telefonia, que, segundo o promotor, demonstram que os réus estavam juntos no momento do crime.

No encerramento da sustentação, o promotor de Justiça fez um apelo direto aos jurados, afirmando que o julgamento não trata apenas da morte de Raquel, mas do impacto permanente causado à família, especialmente aos filhos da vítima. Ele pediu que Raquel seja lembrada como pessoa e não apenas pela violência sofrida, reforçando o pedido de condenação dos réus.


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