sexta-feira, 23 - janeiro 2026 - 00:29



Após 16 horas de júri, irmãos são condenados a 63 anos de cadeia por matar Raquel Cattani


Alair Ribeiro
Alair Ribeiro

Allan Mesquita
Reportagem / Nova Mutum – MT

Após 16 horas de um julgamento marcado por depoimentos emocionantes e apresentação de provas, o Tribunal do Júri de Nova Mutum (264 km de Cuiabá) condenou a 63 de prisão os irmãos Romero e Rodrigo Xavier Mengarde pelo assassinato da produtora rural Raquel Cattani, ocorrido em julho de 2024.

Rodrigo foi condenado a 33 anos de prisão em regime fechado, já Romero a 30 anos em regime inicial fechado. A dosimetria será definida.

O Conselho de Sentença, formado por 5 mulheres e dois homens, acolheu a tese do Ministério Público, reconhecendo Romero como o mentor intelectual do crime e seu irmão, Rodrigo, como o executor direto. A sessão foi presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara da Comarca.

Raquel Cattani foi morta com 40 golpes de faca em sua residência, no Assentamento Pontal do Marape. Durante o julgamento, o delegado Guilherme Pompeo detalhou como Romero arquitetou um álibi “calculista e frio”. Enquanto o irmão executava o crime, Romero frequentou casas de prostituição e gravou vídeos chorando em grupos de família para simular normalidade.

A investigação revelou que Rodrigo ficou à espreita dentro da casa de Raquel, aguardando sua chegada. A vítima chegou a sentir um “cheiro estranho” no imóvel antes de ser surpreendida e morta por Rodrigo. Para tentar despistar a polícia, ele forjou uma cena de latrocínio (roubo seguido de morte), revirando o quarto e deixando uma televisão do lado de fora da casa.

Ciclo de violência e tortura psicológica
Depoimentos de delegados e de Sandra Cattani, mãe da vítima, traçaram um perfil abusivo de Romero. Segundo as testemunhas, Raquel vivia sob “tortura psicológica”, marcada por controle obsessivo, vigilância constante e perseguição, humilhações, chacotas frequentes em relação à deficiência auditiva da vítima, ameaças diante de relatos de que Romero já havia apontado uma arma para o rosto de Raquel.

Amigas da produtora rural confirmaram que ela vivia com medo, tendo profetizado dias antes: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele”. O crime teria sido motivado pela recusa de Romero em aceitar o fim do relacionamento, aproveitando a “janela de oportunidade” em que Raquel estava sozinha, prestes a viajar para uma feira de queijos onde seria premiada.

A condenação foi sustentada por provas digitais robustas. A análise das Estações Rádio-Base (ERBs) e do sinal de Wi-Fi da residência confirmou a presença de Rodrigo no local do crime. Além disso, mensagens apagadas seletivamente no celular de Romero e a localização da motocicleta da vítima, indicada pelo próprio executor após entrar em contradição, foram cruciais para o desfecho do caso.

Um dos momentos mais sensíveis do julgamento foi o depoimento da mãe de Raquel, Sandra Cattani. Ela descreveu o desespero ao encontrar a filha morta e o impacto devastador sobre os netos. Segundo Sandra, a filha mais nova de Raquel dorme todas as noites com uma camiseta da mãe, recusando-se a tirá-la.

Com a decisão, os réus retornam ao sistema prisional para o cumprimento imediato das penas.


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