sexta-feira, 24 - abril 2026 - 14:44



AUDIÊNCIA PÚBLICA

Baixinha critica Plano Diretor e diz que planejamento ignora ‘pobres’; vídeo


Allan Mesquita / Da Redação
Baixinha Giraldeli – Allan Mesquita
Baixinha Giraldeli – Allan Mesquita

A vereadora Baixinha Giraldeli (Solidariedade) elevou o tom contra o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Cuiabá e acusou que a proposta deixa de lado a população mais pobre, com críticas diretas à ausência de políticas de regularização fundiária e infraestrutura nas regiões periféricas. O posicionamento foi feito durante audiência pública realizada na manhã desta sexta-feira (24), na Câmara Municipal, onde o projeto foi apresentado pelo prefeito Abilio Brunini (PL).

Na tribuna, a parlamentar afirmou que, embora o plano tenha pontos positivos, ignora o que considera essencial: o atendimento aos mais vulneráveis. “O meu povo são os humildes, que o poder público nunca enxergou. Vai ter casa para pobre aonde? Para as pessoas vulneráveis, os invisíveis. Não está no planejamento para 10 anos”, declarou, ao questionar a falta de previsão para regularização de áreas ocupadas e moradia popular.

Baixinha usou como principal exemplo o bairro Pedra 90, um dos seus principais redutos eleitorais, que, segundo ela, simboliza o abandono histórico. A vereadora afirmou que a região foi formada sem planejamento e segue crescendo sem estrutura básica, como drenagem e saneamento. “Pegaram os pobres e jogaram lá longe. […] Hoje é uma cidade, mas sem qualidade de vida”, disse. Ela ainda denunciou que moradores enfrentam problemas no abastecimento de água e, em alguns casos, consomem água imprópria devido à ausência de rede de esgoto.

A parlamentar também criticou obras de infraestrutura sem planejamento adequado, citando ruas asfaltadas sem drenagem, o que compromete a durabilidade do pavimento. “A água da chuva acaba com o asfalto, a água do quintal também. Cadê a drenagem? Ninguém fala porque o custo é alto”, pontuou. Para ela, discutir estética urbana sem resolver problemas básicos é ineficaz. “Vai plantar árvore, vai ficar lindo, mas o esgoto vai continuar correndo do mesmo jeito”, disparou.

As críticas desta sexta reforçou um posicionamento que a vereadora já vinha adotando desde a apresentação inicial do plano. No último dia 10 de abril, quando o projeto foi detalhado à imprensa, ela já havia manifestado descontentamento, especialmente em relação à falta de ações previstas para o Pedra 90. Em outra ocasião, durante apresentação conduzida pelo prefeito, Baixinha chegou a interromper a fala de Abilio ao cobrar soluções imediatas para o bairro.

Durante a apresentação, o prefeito Abilio Brunini explicou que o crescimento urbano de Cuiabá ocorreu de forma desordenada ao longo das décadas, deixando de ser “radiocêntrico”, ou seja, concentrado a partir de um núcleo central, e passando a se expandir de maneira espalhada. Segundo ele, decisões antigas de planejamento, como a criação do bairro Pedra 90 em uma área distante, acabaram gerando um grande vazio urbano e separando regiões da cidade. O prefeito destacou que essa lógica contribuiu para o isolamento social da população mais pobre, já que quanto mais distante dos centros urbanos, maior o custo de deslocamento e mais difícil o acesso a serviços. Apesar disso, afirmou que a realidade atual exige integração dessas áreas, citando que regiões como o Pedra 90 ainda possuem poucas vias de ligação com o restante da cidade, o que dificulta a mobilidade e reforça os desafios enfrentados pelos moradores no dia a dia.

“Quanto mais distante você coloca as pessoas, mais você aumenta o custo e o isolamento social. O Pedra 90 já está lá, então agora o desafio é integrar, organizar e garantir que essa região funcione melhor dentro da cidade”, disse.

Durante o debate, o promotor de Justiça Carlos Eduardo Silva também se manifestou e reconheceu as reivindicações da vereadora. Segundo ele, o enário como complexo. “A senhora tem toda razão. É um desafio. Nós temos áreas como Dante, Juca e Sampaio, algumas judicializadas. Não temos nem posse garantida em certas regiões. Como investir em saneamento sem essa segurança?”, explicou. Ele acrescentou que a prioridade, neste momento, é garantir a permanência das famílias nas áreas ocupadas. “Estamos tentando manter as famílias lá. Esse é o primeiro passo para depois avançar no planejamento e organização do território”, afirmou.

Baixinha, no entanto, contestou parte da argumentação ao defender que há casos, como o da comunidade Dante Martins de Oliveira, em que moradores já teriam quitado a área, mas ainda enfrentam dificuldades de regularização. Segundo ela, a burocracia e a falta de políticas públicas continuam impedindo avanços concretos. Ao final, a vereadora voltou a pressionar o poder público e o Ministério Público por respostas efetivas, afirmando que a população mais pobre não pode continuar sendo ignorada no planejamento urbano da capital. “Eu vou brigar pelo meu povo”, concluiu.

Veja o vídeo:


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