- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 4 , MAIO 2026
O deputado federal Wilson Santiago (Republicanos-PB) utilizou R$ 203 mil da cota parlamentar para custear o aluguel de veículos de uma empresa ligada à própria família, segundo documentos e notas fiscais analisados. O caso envolve a Construtora e Locadora JMX, que tem entre os sócios dois sobrinhos do parlamentar.
Thiago e Thaísa Santiago são filhos de José Milton Santiago, irmão já falecido do deputado. As normas da Câmara dos Deputados proíbem o reembolso de despesas relacionadas a empresas de propriedade de parentes de parlamentares até o terceiro grau, o que inclui sobrinhos.
De acordo com os registros, o parlamentar alugou veículos como um Tiggo 7, da Caoa Chery, e um Jeep Commander, SUV de luxo. A nota fiscal mais recente, de março deste ano, registra o aluguel do Jeep Commander por R$ 12 mil em um mês.
Ao todo, 22 notas fiscais foram reembolsadas pela Câmara entre maio de 2024 e março de 2026, somando mais de R$ 203 mil pagos ao parlamentar por meio da cota parlamentar.
Parte dos documentos apresentados inclui recibos assinados por Thiago Santiago, também conhecido como Thiago de Azulão, ou por sua filha. Ele também é vereador no município de Uiraúna (PB), eleito pelo mesmo partido do deputado.
A cota parlamentar é uma verba indenizatória destinada a custear despesas do mandato, como aluguel de veículos, combustível e alimentação.
Em nota, a Câmara dos Deputados informou que é proibido o reembolso de despesas com empresas pertencentes a parlamentares ou a parentes até o terceiro grau, bem como a servidores da Casa.
A instituição destacou que o deputado é responsável pelas notas fiscais apresentadas e por sua conformidade com as regras. Cabe à Câmara verificar a regularidade fiscal e contábil da documentação.
Em caso de irregularidades, o reembolso é suspenso imediatamente. Se o valor já tiver sido pago, a Casa solicita a devolução dos recursos.
A Câmara também ressaltou que todos os gastos da cota parlamentar são públicos e podem ser consultados no portal oficial.
O deputado Wilson Santiago não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.