sábado, 20 - junho 2026 - 06:34



TRÁFICO DE ANABOLIZANTES

DJ de Cuiabá recebe quase seis anos por tráfico anabolizante


Reprodução
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A Justiça de Mato Grosso condenou o DJ cuiabano Patrike Noro de Castro a cinco anos e 10 meses de prisão, em regime semiaberto, pelo crime de tráfico interestadual de anabolizantes. A sentença foi proferida pela juíza Renata do Carmo Evaristo Parreira, da 13ª Vara Criminal de Cuiabá, e publicada nesta quinta-feira (18).

De acordo com os autos, Patrike foi responsabilizado pelo envio, por meio dos Correios, de uma encomenda contendo 20 frascos de anabolizantes destinados a um personal trainer residente em Copacabana, no Rio de Janeiro. O pacote continha aproximadamente mil comprimidos de substâncias à base de metandrostenolona, testosterona e estanozolol.

A remessa foi interceptada durante uma inspeção de rotina realizada com equipamento de raio-X. Após a apreensão, o material foi encaminhado à Polícia Federal, que solicitou perícia técnica. Os laudos confirmaram a presença de substâncias de uso controlado incluídas nas listas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Durante o processo, o DJ negou participação no envio da encomenda. A defesa alegou insuficiência de provas e sustentou que o caso deveria ser extinto em razão da prescrição, uma vez que os fatos investigados ocorreram em 2015.

No entanto, ao analisar o conjunto probatório, a magistrada concluiu que havia elementos suficientes para comprovar a autoria do crime. Segundo a sentença, embora a embalagem externa tivesse sido postada utilizando identidade falsa, uma das caixas encontradas no interior da encomenda continha o nome e o endereço verdadeiros do acusado.

A decisão também destaca o depoimento do destinatário da carga, que confirmou ter solicitado diretamente a Patrike o envio dos anabolizantes para o Rio de Janeiro. Conforme relatado nos autos, o DJ ficou responsável pela postagem do material via Sedex.

Outro fator considerado pela Justiça foram mensagens extraídas do celular do réu. De acordo com a sentença, os diálogos apontam negociações envolvendo anabolizantes e drogas sintéticas, reforçando a tese de que a remessa investigada não representava um episódio isolado.

“Há um conjunto probatório consistente e convergente que demonstra a responsabilidade do acusado pela remessa interestadual das substâncias apreendidas”, registrou a juíza na decisão.

Patrike está preso desde agosto de 2025, quando foi alvo da Operação Datar, conduzida pela Polícia Civil. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de movimentar cerca de R$ 185 milhões oriundos do tráfico de drogas e de esquemas de lavagem de dinheiro.

Comprador é absolvido

Na mesma decisão, a magistrada absolveu o destinatário da encomenda, identificado pelas iniciais R.C.S. Personal trainer, ele afirmou que utilizava hormônios mediante prescrição médica e que adquiriu os produtos para consumo próprio após sua mudança para o Rio de Janeiro.

Ao analisar o caso, a juíza concluiu que não havia provas de que o material seria destinado à comercialização. Segundo a sentença, não foram encontrados indícios, testemunhos ou registros que demonstrassem a prática de revenda das substâncias.

Diante da ausência de elementos que configurassem tráfico, a acusação foi desclassificada para porte de droga para consumo pessoal. Como os fatos ocorreram há mais de dez anos, a magistrada reconheceu a prescrição da pretensão punitiva e declarou extinta a punibilidade do acusado.


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