quinta-feira, 25 - junho 2026 - 17:20



CRISE PONTUAL

Vídeo - Samantha embate crise entre Michelle e Flávio; 'direita tem inimigo comum'


Allan Mesquita / Da Redação
Reprodução
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A vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Iris (PL), afirmou nesta quinta-feira (25) que o embate público entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro não deve gerar impactos duradouros dentro da base da direita e classificou a crise como um episódio pontual ligado à disputa política no Ceará. A avaliação foi feita ao comentar a repercussão do vídeo em que a ex-primeira-dama relata ter se sentido desrespeitada pelo senador, fato que expôs divergências internas no núcleo bolsonarista.

Durante entrevista, Samantha destacou que, apesar da repercussão de dois vídeos longos publicados por Michelle Bolsonaro, o conteúdo não indica rompimento político nem desgaste irreversível dentro do grupo. Para a vereadora, a própria ex-primeira-dama reforça em sua manifestação que não há ressentimentos, e que o foco da direita permanece na disputa contra o campo adversário. “Ela fala sobre muitas questões, ela inclusive fala que não tem nenhuma mágoa ou nenhum ressentimento ou nenhum problema com o Flávio”, afirmou.

A parlamentar ressaltou ainda que a leitura predominante entre aliados é de que o episódio não representa uma crise estrutural, mas sim uma divergência localizada sobre estratégias partidárias no Ceará. Segundo ela, o contexto não altera o alinhamento político da direita em torno do projeto nacional liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro como nome consolidado dentro do grupo.

“A direita entende que a gente tem um inimigo que é o PT. Não é nada entre o partido, não é nada dentro do partido. Nosso inimigo é a esquerda, então a gente precisa lutar por isso”, disse Samantha Iris ao defender que o episódio deve ser interpretado como uma discussão pontual dentro do próprio campo político.

Ao comentar a possível repercussão do caso junto a segmentos do eleitorado, como mulheres e evangélicos, públicos historicamente sensíveis ao discurso de Michelle Bolsonaro, a vereadora avaliou que não deve haver prejuízo significativo ao grupo político. Para ela, a base já compreende a existência de um projeto político definido e em construção.

“Eu acredito que não, eu acredito que a direita realmente tem consciência de que a gente tem um objetivo esse ano e que o Flávio Bolsonaro é o representante escolhido pelo Bolsonaro”, afirmou, reforçando que o nome do senador segue como referência dentro da estratégia eleitoral.

Samantha também destacou que havia uma cobrança para que Michelle se posicionasse publicamente sobre o episódio, o que, segundo ela, explica a divulgação dos vídeos. Ainda assim, avaliou que o posicionamento da ex-primeira-dama não compromete a unidade do grupo político, que continua orientado pelo projeto eleitoral já estabelecido.

“Eu acho que existia uma cobrança muito grande para que ela se posicionasse também enquanto uma liderança que ela é das mulheres e do partido”, completou.

Em análise semelhante, o vereador Rafael Ranalli avaliou que o episódio expõe uma disputa interna natural do campo político, relacionada à definição de lideranças dentro da direita após o enfraquecimento da figura central de Jair Bolsonaro.

Segundo Ranalli, o conflito teria origem na disputa por protagonismo político e no reposicionamento de lideranças nacionais e estaduais dentro do PL. Ele citou ainda a existência de diferentes alas dentro do partido e classificou o episódio como uma “lavagem de roupa suja” que poderia ter sido evitada.

“Eu acredito que essa dor é motivada principalmente pelo fato de o Bolsonaro estar preso, nesse sentido de estar calado. Então fica aquela coisa: quem é o herdeiro político?”, disse o vereador, ao comentar o cenário interno.

Apesar da tensão, Ranalli afirmou que o momento deve ser de recomposição e unidade dentro do partido, destacando que episódios de divergência são comuns em grupos políticos com múltiplas lideranças. Ele também avaliou que a crise deve ser superada rapidamente, sem grandes danos eleitorais.

“Eu acho que o momento do PL é de união… foi, sim, prejudicial, mas nada que não possa ser curado nos próximos meses ou nos próximos dias”, concluiu.

O embate entre Michelle e Flávio Bolsonaro, motivado por divergências sobre alianças políticas no Ceará, gerou repercussão nacional e foi amenizado após manifestações públicas de ambos, com pedidos de desculpas e falas em defesa da unidade do grupo político.

Veja o vídeo:


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