- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 25 , JUNHO 2026
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos), rebateu às críticas feitas pelo senador Wellington Fagundes (PL), que classificou como “lambança” o projeto do Executivo estadual que prevê um empréstimo de R$ 1,5 bilhão para construção de casas populares após congelamento de recursos do Fethab II como medida de apoio ao setor produtivo em meio a impactos climáticos e econômicos.
Ao ser questionado sobre as declarações do senador, Pivetta elevou o tom e partiu para ataques pessoais, afirmando que o adversário político não tem experiência em gestão. “Esse senhor é um… é desprezível, mas eu vou falar. Estão me provocando, eu vou falar”, iniciou o governador.
O embate tem como pano de fundo a disputa ao governo do Estado, onde Pivetta e Fagundes são expostos como principais adversários. Diante disso, o governador afirmar que o congressista nunca teve experiência administrativa.
“Ele nunca teve uma experiência de fazer gestão, sequer de orçamento doméstico. Nós conhecemos ele na política como deputado e veio até aqui nessa profissão. Será que isso é uma profissão?”, declarou.
O governador ainda fez referência a supostos problemas pessoais do senador, sem apresentar detalhes. “A história dele é cabulosa”, afirmou.
Pivetta defendeu o projeto encaminhado à Assembleia Legislativa, que prevê o uso de recursos de crédito para viabilizar a construção de aproximadamente 60 mil unidades habitacionais em Mato Grosso. A proposta de empréstimo chega ao Legislativo em meio ao calendário de prioridades do Executivo e após o Governo do Estado ter anunciado, em abril, o congelamento de recursos do Fethab II. Parte do recurso do imposto pago pelo setor produtivo era destinado à construção de casas populares.
Segundo ele, a medida é estratégica diante da necessidade de investimentos em habitação. “Nós mandamos o projeto de um bilhão e meio para fazer 60 mil casas, porque é a prioridade número um hoje no estado de Mato Grosso: habitação para quem ainda não tem”, disse.
O governador argumentou que o Estado possui capacidade de endividamento devido ao equilíbrio fiscal. “Nós temos crédito. Sabe por quê? Porque fizemos as reformas e o dever de casa para o Estado ficar superavitário”, afirmou.
Ele também destacou mudanças na política tributária e na gestão das contas públicas. “Baixamos todas as alíquotas de imposto no estado de Mato Grosso. Todas. E ainda, a nossa dívida hoje é negativa. Portanto, nós podemos fazer dívida”, declarou.
Disputa em torno do Fethab
As críticas de Fagundes estão relacionadas ao uso de recursos e à destinação de valores ligados ao Fethab, fundo que, segundo ele, deveria ser prioritariamente destinado à habitação e infraestrutura rural.
O senador afirmou que o governo estaria “desviando” recursos ao direcionar verbas para outras finalidades e, ao mesmo tempo, solicitando novo empréstimo.
Já Pivetta rebateu dizendo que a estratégia do governo é uma reorganização orçamentária diante da possível perda de parte da arrecadação do fundo.
“Como nós estamos na iminência de perder o FETAB II, estamos garantindo esse recurso no orçamento com custo baixo, que é para infraestrutura. E vamos deslocar o recurso do FETAB para as 60 mil casas. Isso é governar”, afirmou.
O governador também criticou a postura do senador ao tratar da gestão estadual e afirmou que governar exige capacidade de decisão financeira. “Governar é criar alternativa, é pensar em solução mais barata, é fazer bons negócios para a sociedade, coisa que ele não sabe fazer”, disse.