- CUIABÁ
- SÁBADO, 27 , JUNHO 2026
Um homem de 68 anos, apontado como responsável pelo atropelamento que matou 19 pessoas durante um bloco de Carnaval em Natal (RN), foi preso nesta sexta-feira (26), em Cuiabá. Foragido da Justiça há mais de quatro décadas, Aluísio Farias Batista foi localizado após uma operação integrada entre as polícias civis do Rio Grande do Norte e de Mato Grosso, com apoio da Polícia Federal.
Conhecido como Tragédia do Baldo, o acidente ocorreu em 1984 e teve grande repercussão nacional. Desde então, Aluísio era considerado foragido e vivia em Mato Grosso utilizando documentação falsa em nome de uma pessoa já falecida, segundo as investigações.
A prisão foi resultado de um trabalho de inteligência iniciado após a Polícia Civil do Rio Grande do Norte solicitar apoio às forças de segurança mato-grossenses para localizar o acusado. Após semanas de investigações, equipes conseguiram confirmar sua identidade e descobrir seu paradeiro.
Com o auxílio de órgãos de inteligência da Polícia Civil de Mato Grosso e do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), os investigadores identificaram que o foragido residia no bairro Jardim Presidente I, em Cuiabá, onde levava uma vida discreta e havia constituído uma nova família.
Na sexta-feira, policiais da Gerência Estadual de Polinter cumpriram o mandado de prisão no imóvel. Após ser detido, Aluísio foi encaminhado à sede da Polinter, onde permanece à disposição da Justiça.
Na época do acidente, Aluísio tinha 26 anos e trabalhava como motorista de ônibus. O veículo conduzido por ele atingiu participantes do tradicional bloco carnavalesco Puxa-Sacos, no bairro Alecrim, em Natal, provocando a morte de 19 pessoas e deixando dezenas de feridos.
Entre as vítimas estavam o neto do então senador Dinarte Mariz e cinco sargentos da Polícia Militar do Rio Grande do Norte.
Em depoimentos prestados ao longo dos anos, Aluísio afirmou que já havia encerrado o expediente quando foi chamado para substituir outro motorista. Segundo sua versão, ao passar pela região do Baldo, enfrentou uma via com pouca iluminação e precisou desviar de um Volkswagen Fusca que seguia à sua frente. Ao retornar para a pista, encontrou outra escola de samba desfilando e alegou que não houve tempo nem espaço para evitar o atropelamento.
O caso ganhou ampla repercussão em todo o país e permaneceu entre as maiores tragédias do Carnaval brasileiro. De acordo com as investigações, após o episódio o motorista deixou o Rio Grande do Norte e passou a viver em Cuiabá, onde permaneceu escondido por mais de 40 anos até ser localizado pelas forças de segurança.