quinta-feira, 16 - julho 2026 - 11:12



MESA DIRETORA

Dilemário rompe acordo com Paula e volta à disputa pela Presidência da Câmara de Cuiabá


Allan Mesquita / Do Local
Dilemário Alencar (União)
Dilemário Alencar (União)

O vereador Dilemário Alencar (União) anunciou nesta quinta-feira (16) que voltou a disputar a Presidência da Câmara de Cuiabá, após o fim do prazo estabelecido em um acordo político para apoiar a reeleição da atual presidente, Paula Calil (PL). Segundo o parlamentar, ele e a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade) haviam se comprometido a aguardar até o dia 16 de julho para que o grupo da presidente conseguisse os apoios necessários e viabilizasse uma mudança no Regimento Interno que permitisse sua recondução ao cargo.

A decisão de Dilemário ocorre em meio ao impasse envolvendo a eleição da Mesa Diretora. De um lado, a base de Paula Calil tenta alterar o Regimento Interno para autorizar uma única reeleição consecutiva na mesma legislatura. Do outro, um bloco de 13 vereadores permaneceu alinhado ao projeto encabeçado pelo vereador Ilde Taques (Podemos), impedindo que a atual presidente consolidasse os 18 votos necessários para aprovar a mudança.

Ao anunciar sua decisão, Dilemário afirmou que, diante do vencimento do prazo, não havia mais motivos para manter o compromisso firmado anteriormente. “Quero comunicar à população de Cuiabá e à imprensa que restabeleço a minha candidatura à Presidência da Câmara Municipal. Continuo candidato à presidência”, declarou. O vereador acrescentou que seguirá dialogando com os colegas e defendeu que a definição da Mesa Diretora seja construída internamente pelos 27 parlamentares.

Paralelamente às articulações políticas, a disputa também se intensificou no Judiciário. Na última segunda-feira (13), a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho negou o pedido de liminar apresentado pelo prefeito Abilio Brunini (PL), mantendo em vigor a regra do Regimento Interno que exige o voto favorável de dois terços dos vereadores para alterar as normas da Câmara. A ação questiona justamente a constitucionalidade desse quórum qualificado, sob o argumento de que a Lei Orgânica do Município prevê aprovação por maioria simples. Com a decisão, permaneceu a necessidade de 18 votos para aprovar a proposta que abriria caminho para a reeleição de Paula Calil.

Já nesta quinta-feira (16), um novo capítulo da disputa judicial teve início após o vereador Marcus Britto (PV) ingressar com outra ação questionando o mesmo dispositivo do Regimento Interno. O parlamentar sustenta que a norma interna não pode exigir um quórum superior ao previsto na Lei Orgânica para sua própria alteração. Ao analisar o pedido, o desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira suspendeu a votação do Projeto de Resolução nº 31.173/2026, que autorizaria uma única recondução ao mesmo cargo da Mesa Diretora. O magistrado apontou que o tema já é objeto de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade em tramitação no Tribunal de Justiça e entendeu que a votação poderia causar prejuízo caso fosse realizada antes da definição sobre a validade do quórum exigido.

Foi nesse cenário de impasse político e jurídico que Dilemário decidiu considerar encerrado o acordo firmado com Paula Calil e Baixinha Giraldelli, reapresentando oficialmente sua candidatura à Presidência da Câmara de Cuiabá.


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