terça-feira, 21 - julho 2026 - 13:22



DESVIO DE FUNÇÃO

Abilio diz que Procuradoria da Mulher deu ‘carteirada’ coagiu diretoras em escola de Cuiabá


Allan Mesquita / Do Local
Abilio Brunini
Abilio Brunini

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou nesta terça-feira (21) que a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal estaria sendo desvirtuada e acusou assessores ligados ao órgão de utilizarem a estrutura institucional para intimidar servidoras da rede municipal de ensino. A procuradoria é presidida pela vereadora Maria Avalone (PSDB).

Segundo Abilio, assessores da Procuradoria da Mulher teriam ido até a EMEB Agostinho Simplício, no bairro Poção, para pressionar a direção da unidade durante um conflito administrativo entre servidoras. “Estou dizendo que há um desvirtuamento da Procuradoria. Ela não tem o direito de entrar em uma unidade escolar para coagir diretora e coordenadora. O que aconteceu foi servidor, que nem vereador é, entrar na escola dando carteirada para tentar pressionar servidoras do município”, declarou.

A declaração foi dada após ser questionado sobre a criação de uma Comissão Especial para acompanhar as denúncias de assédio sexual envolvendo o ex-chefe de gabinete da Prefeitura, William Leite de Campos.

O prefeito afirmou que o episódio não envolvia violência contra a mulher nem qualquer situação relacionada à discriminação de gênero. “Era uma discussão administrativa entre uma servidora e a direção da escola. Isso deve ser tratado pela Secretaria de Educação, e não com carteirada dentro de uma unidade escolar”, disse. Para Abilio, o órgão extrapolou suas atribuições ao atuar em um caso interno da administração municipal.

Durante a entrevista, o prefeito também criticou a criação da Comissão Especial destinada a acompanhar o caso William Leite. Segundo ele, a Câmara já possui instrumentos suficientes para tratar do assunto, lembrando que uma comissão especial anterior ouviu o ex-chefe de gabinete, representantes da Prefeitura e a denunciante.

“Já teve comissão especial, já existe a Procuradoria da Mulher e também a Comissão dos Direitos da Mulher. Todas têm poder para convocar pessoas e investigar. O que não dá é ficar repetindo a mesma narrativa. Se acharam que a investigação foi insuficiente, tornem público o relatório da comissão especial, preservando o sigilo da vítima”, afirmou.

Abilio ainda acusou parlamentares de estarem “espetacularizando” o caso e disse que a exposição pública pode prejudicar a denunciante. “Desde o começo estão transformando isso em um espetáculo político. Depois vão virar as costas para a vítima. O que eu peço é que tornem público o relatório produzido pela comissão especial, porque, se já tinham instrumentos para investigar e não fizeram o uso adequado deles, o resto é só narrativa”, completou.

A presidente da Câmara de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), confirmou que recebeu diretoras e coordenadoras da EMEB Agostinho Simplício relatando desconforto após a visita de representantes da Procuradoria da Mulher. Segundo ela, as servidoras disseram ter se sentido ofendidas durante a atuação na escola.

Paula afirmou que não tinha conhecimento prévio da ação e ressaltou que o episódio envolve um conflito administrativo da Secretaria Municipal de Educação. “Recebi as três servidoras bastante abaladas. Elas relataram que a Procuradoria da Mulher esteve na escola e houve um desentendimento. Trata-se de um problema interno da Secretaria de Educação, que acabou tomando outra proporção”, declarou.

Veja vídeo:


Entre no nosso canal do Whatsapp e receba noticias em tempo real. Clique Aqui
+