terça-feira, 21 - julho 2026 - 16:02



JULGAMENTO ADIADO

Após abandonar julgamento, defesa insiste em exame de insanidade mental de Carlinhos Bezerra


Allan Mesquita / Da Redação
Edson Marcelino da Silva Júnior – Josi Dias/TJMT
Edson Marcelino da Silva Júnior – Josi Dias/TJMT

Após abandonar o julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra na manhã desta terça-feira (21), a defesa voltou a insistir que o réu seja submetido a um exame de sanidade mental e fez duras críticas à condução do processo, que acabou tendo seu julgamento adiado para o dia 31 d julho. Em entrevista concedida na saída do Fórum de Cuiabá, o advogado Edson Marcelino da Silva Júnior afirmou que a perícia é um direito previsto em lei, negou que o pedido tenha caráter protelatório e questionou a resistência da acusação em aceitar a realização do procedimento.

Segundo o defensor, o exame psiquiátrico não tem como objetivo livrar Bezerra da responsabilização pelos assassinatos da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno, mas garantir que o julgamento ocorra com respeito ao devido processo legal.

“Não se chama estratégia. A partir do momento que você tem essa previsão legal no Código, ela deve ser observada. Nós queremos tão somente um julgamento justo”, cita.

O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra foi adiado após os advogados abandonarem a sessão, depois que a Justiça negou um novo pedido de adiamento formulado pela defesa. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira redesignou o Tribunal do Júri para o dia 31 de julho, às 9h.

O advogado afirmou que uma perícia particular já apontou indícios relacionados à saúde mental do acusado e criticou a decisão judicial que rejeitou a realização do exame.

“A perícia particular constatou que existe, sim, a questão da sanidade mental. As pessoas interpretam errado. Quando falam em sanidade mental, pensam apenas em alguém totalmente incapaz. Não é assim. Existem diversos subtópicos na doença mental e nós avançamos muito nos últimos anos”, disse.

Edson Marcelino também rebateu o entendimento de que não existiriam elementos para justificar a perícia. “Com a devida vênia, os elementos estão todos no processo”, pontua.

Em um dos momentos mais contundentes da entrevista, o defensor desafiou a acusação e questionou por que haveria resistência à realização do exame. “Por que não submete, então, Carlos Bezerra à insanidade mental e demonstra que ele não tem nada? Qual é o medo que a acusação tem disso? Qual é o medo que a acusação tem de entregar para a gente acesso ao processo? Qual é o medo que a acusação tem de que a defesa tenha acesso a toda a árvore processual?”

Ainda segundo o advogado, a defesa não busca a impunidade do réu e ressaltou que Bezerra permaneceria preso independentemente da realização da perícia. “Não é assim: nós queremos a impunidade e ele vai sair por conta disso. Negativo. Inclusive, ele continua preso.”

Ele acrescentou que o objetivo é apenas assegurar ao acusado o pleno exercício do direito de defesa. “A única diferença é que estou garantindo a ele o direito de defesa. O direito de demonstrar que aquilo que vem na acusação não merece prosperar da forma como foi apresentado.”

Ao justificar a decisão da banca de deixar o plenário do Tribunal do Júri, Edson Marcelino afirmou que a maior consequência não recai sobre a defesa, mas sobre o próprio sistema de Justiça. “O prejuízo maior não é da defesa. O prejuízo maior é da sociedade. Se um caso de comoção recair sobre um familiar seu, o julgamento vai ser este mesmo? É o direito de defesa que está sendo cerceado.”

O julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra foi adiado após os advogados abandonarem a sessão, depois que a Justiça negou um novo pedido de adiamento formulado pela defesa. A juíza Mônica Catarina Perri Siqueira redesignou o Tribunal do Júri para o dia 31 de julho, às 9h.

Réu confesso, Carlos Alberto Gomes Bezerra responde pelo assassinato da ex-companheira Thays Machado e do namorado dela, Willian Cesar Moreno. O Ministério Público sustenta que o crime foi premeditado e motivado pela inconformidade do acusado com o fim do relacionamento, enquanto a defesa afirma que ainda há questões técnicas e provas que precisam ser analisadas antes da realização do julgamento.


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