terça-feira, 21 - julho 2026 - 19:36



ARTICULAÇÃO POLÍTICA

Janaina descarta vice, defende união Max Russi Botelho Senado


Deputada reafirma candidatura a senadora, defende alianças e detalha propostas para o Congresso
Deputada reafirma candidatura a senadora, defende alianças e detalha propostas para o Congresso

Pré-candidata ao Senado, a deputada estadual Janaina Riva (MDB) afirmou, nesta terça-feira (21), que buscará a composição política que ofereça as melhores condições para viabilizar sua candidatura, sem fechar as portas para qualquer grupo político. Em entrevista à CBN Cuiabá, a parlamentar reiterou que seu projeto é disputar uma vaga no Senado e descartou voltar a concorrer ao cargo de vice-governadora.

“Quando se trata de uma mulher, a todo tempo tentam colocá-la como vice. O que eu estou trabalhando agora é para ser senadora de Mato Grosso”, declarou.

Janaina afirmou que não houve uma reaproximação com o grupo do governador Mauro Mendes (União), mas reconheceu que mantém diálogo com diferentes lideranças em busca de um palanque competitivo. Segundo ela, a decisão será pautada pela viabilidade eleitoral e pela preservação das bandeiras que defendeu ao longo dos três mandatos na Assembleia Legislativa.

“Tenho trabalhado com a razão. Vou buscar o espaço que ofereça as melhores condições para que eu seja eleita senadora. Ainda não sei qual será a chapa, mas farei tudo o que for necessário, junto com o grupo que tenho, para conquistar a primeira colocação na disputa”, afirmou.

Aliança com Max e Botelho

Presidente estadual do MDB, Janaina disse que o partido não impõe restrições para dialogar com o PL ou qualquer outra legenda. Ela lembrou que MDB, PL, União Brasil, Republicanos e outros partidos já estiveram no mesmo palanque em eleições anteriores e avaliou que eventuais resistências atuais decorrem mais de interesses individuais do que partidários.

“O MDB não tem dificuldade para dialogar com nenhum partido. Todos nós já caminhamos juntos. Criar agora uma barreira para uma coligação não faz sentido, principalmente quando esse mesmo grupo esteve unido há quatro ou oito anos”, disse.

A deputada também confirmou a existência de um entendimento político com o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (Podemos), e com o deputado Eduardo Botelho (União Brasil). Segundo Janaina, os três pretendem permanecer no mesmo palanque durante a eleição.

Ela acrescentou que MDB e Podemos trabalham com a meta de eleger até dez deputados estaduais em conjunto e afirmou que sua candidatura ao Senado é um ponto de consenso entre Max Russi e Botelho.

Bandeiras para o Senado

Caso seja eleita, Janaina afirmou que pretende priorizar pautas relacionadas à proteção de mulheres e crianças, ao endurecimento das penas para crimes sexuais e feminicídios, ao combate ao crime organizado, à ampliação do ensino integral e à segurança jurídica no campo.

A parlamentar voltou a defender a prisão perpétua para estupradores, pedófilos e autores de feminicídio. Embora reconheça que a medida exigiria uma nova Constituição, argumentou que o Congresso Nacional precisa enfrentar esse debate.

“Quando é para votar blindagem ou aumentar o fundo eleitoral, o Congresso se reúne. Por que não fazer uma discussão séria para proteger crianças, mulheres, idosos e pessoas com deficiência vítimas de violência sexual?”, questionou.

Na área de proteção às mulheres, Janaina defendeu investimentos federais em patrulhas Maria da Penha, implantação de botões do pânico com georreferenciamento, ampliação das casas de acolhimento e criação de auxílio financeiro temporário para mulheres que precisam deixar suas residências em razão da violência doméstica.

Segundo ela, a rede de atendimento ainda funciona de forma desarticulada, especialmente no interior do Estado. A deputada relatou que, em muitos casos, policiais não encontram locais adequados para encaminhar mulheres e crianças retiradas de situações de violência.

“A mulher sai de casa com os filhos, sem dinheiro, sem ter onde ficar e sem saber como vai trabalhar. É preciso um sistema integrado entre União, Estado, municípios e terceiro setor para garantir proteção imediata”, afirmou.

Violência política e segurança pública

Janaina também defendeu maior celeridade no julgamento de casos de violência política de gênero. Para ela, agentes públicos que atacarem mulheres em razão de sua condição feminina dentro dos parlamentos deveriam perder o direito de disputar eleições.

A deputada citou casos de vereadoras que, segundo ela, foram ofendidas em plenário e ainda aguardam, anos depois, uma resposta da Justiça.

“A lei existe, mas não é aplicada no tempo necessário. Sem punição, as agressões continuam acontecendo”, afirmou.

Na área da segurança pública, Janaina avaliou que as facções criminosas avançaram sobre bairros da Baixada Cuiabana e municípios do interior, ocupando espaços deixados pelo Estado. Ela defendeu uma reforma do sistema penal, ampliação do efetivo das forças de segurança, valorização dos profissionais da área e políticas voltadas à proteção de policiais e de suas famílias.

“Na omissão do Estado, o crime organizado passa a oferecer uma falsa sensação de segurança à população. Quando uma comunidade confia mais no integrante de uma facção do que na polícia, há uma inversão completa de valores”, disse.

Jornada de trabalho e defesa de Mato Grosso

Sobre a proposta de extinção da jornada de trabalho no modelo 6×1, Janaina reconheceu que muitos trabalhadores enfrentam sobrecarga, mas afirmou que pretende aguardar estudos técnicos antes de definir posição definitiva sobre o tema.

Ela disse defender uma reforma que proporcione mais tempo para as famílias, desde que não provoque demissões nem aumente a informalidade.

“Entendo que precisa haver uma mudança, mas ela não pode trazer prejuízo ao trabalhador nem inviabilizar quem empreende”, declarou.

Por fim, Janaina afirmou que, caso seja eleita, pretende atuar no Congresso priorizando os interesses de Mato Grosso, independentemente de orientações partidárias ou ideológicas.

Como exemplo, citou temas como a regulamentação da reforma tributária, demarcações de terras indígenas, defesa da propriedade rural e segurança jurídica para produtores rurais que receberam títulos públicos há décadas.

“A minha principal bandeira é Mato Grosso. Não vou votar contra o meu Estado para acompanhar partido, presidente ou qualquer orientação ideológica”, concluiu.


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