- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 4 , AGOSTO 2026
A definição do deputado federal Fábio Garcia como candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos) abriu uma nova rodada de articulações nos bastidores da política de Mato Grosso. A escolha, confirmada nesta segunda-feira (3), ocorre poucos dias depois da convenção do União Brasil que rejeitou a candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado e autorizou o partido a avançar em uma possível composição com o Republicanos.
Informações recebidas pelo FatoAgora dão conta que uma das principais movimentações de bastidores é justamente tentar convencer Jayme Campos a superar o resultado da convenção e aceitar disputar a reeleição ao Senado Federal. A ideia, que também é engajada por Garcia, mira na construção de uma chapa que reúna Jayme e o ex-governador Mauro Mendes na corrida pelas duas vagas ao Senado que estarão em disputa em 2026.
A possibilidade, no entanto, está longe de ser uma construção simples. Jayme deixou a convenção do União Brasil profundamente contrariado com a derrota. Em seu discurso após a apuração, o senador afirmou que nunca havia presenciado uma convenção conduzida de maneira tão “draconiana”, classificando o processo como “desigual e desonesto”. Também acusou a existência de um “rolo compressor” e falou em influência do poder econômico e da estrutura do Estado para derrotar sua candidatura ao Palácio Paiaguás.
A eventual aproximação com Mauro Mendes, portanto, exigiria de Jayme um movimento político de superação da disputa interna que terminou em derrota. O ex-governador foi justamente um dos principais articuladores da estratégia que levou o União Brasil a abrir mão da candidatura própria ao Governo e autorizar uma composição com o Republicanos. Na convenção, a proposta de coligação venceu por 30 votos a 19, além de uma abstenção e um voto nulo.
A nova configuração também pode colocar a suplente de senadora Margareth Buzetti (PP) em uma situação delicada. Até então, a composição trabalhada no grupo governista tinha Mauro Mendes e Margareth como nomes para o Senado. A entrada de Jayme nessa mesma equação poderia reduzir o espaço disponível para Buzetti dentro da composição majoritária. A própria parlamentar já admitiu anteriormente que uma eventual decisão de Jayme de abandonar o projeto ao Governo e disputar a reeleição poderia alterar o cenário da disputa ao Senado.
Nos bastidores, a quarta-feira (4) deve ser marcada por uma nova ofensiva política para tentar convencer Jayme Campos a aceitar a proposta.