- CUIABÁ
- TERÇA-FEIRA, 4 , AGOSTO 2026
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, convocou uma reunião com funcionários de alto escalão da entidade em meio à crise dos últimos dias. De acordo com veículos europeus como a “Sky Sports” e o “The Times”, Infantino se encontrará com lideranças nesta quarta-feira, em Rabat, no Marrocos.
Os temas que serão abordados no encontro ainda não estão confirmados, mas a reunião surge depois de vir à tona a notícia de que o presidente perdeu apoio de alguns funcionários importantes após divulgar o plano de venda de ações para investidores privados.
A ideia imediatamente enfrentou grande resistência e foi criticada duramente por dirigentes do futebol mundial – principalmente a Uefa, confederação que reúne as associações da Europa. A entidade europeia defende, agora, uma mudança na presidência da Fifa, deixando Infantino sob forte pressão.
Gianni Infantino foi visto no Marrocos na semana passada, participando de celebrações do Dia do Trono, que exalta a data na qual o rei Mohammed VI assumiu o posto, há 27 anos. O país africano, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, é visto como um aliado importante do presidente da Fifa.
Entenda o caso
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, saiu em três dias de todo-poderoso do futebol mundial a dirigente na berlinda na presidência da Fifa. O plano de criar a empresa Fifa Foward Enterprise (FFE) para a venda de ações a investidores privados fracassou rapidamente, e Infantino vive seu momento mais pressionado desde que assumiu o cargo.
A ideia de Infantino era criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária com controle majoritário da Fifa e participações minoritárias de investidores. A companhia ficaria responsável por consolidar as operações das principais competições organizadas pela entidade, como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. O objetivo era arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,5 bilhões).
A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que os 55 representantes boicotariam competições futuras promovidas pela Fifa enquanto a ideia não fosse cancelada. A Concacaf, que reúne países das Américas do Norte e Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também reprovaram a medida em notas oficiais.
Com a impressionante rejeição e pressão sofridas, Gianni Infantino anunciou a desistência da criação da FFE na sexta, três dias após ter anunciado a possibilidade da venda de ações da Fifa a investidores privados.
A Uefa, que reúne as federações europeias, defendeu abertamente a mudança na presidência. Mas Infantino tem apoiadores importantes, caso do Marrocos – uma das três principais sedes da Copa do Mundo de 2030 – e tampouco sofreu críticas por parte da Conmebol, confederação sul-americana de futebol e uma das mais importantes mundialmente. Amparado a isso, pode tentar se sustentar no cargo até março, quando haverá a eleição para tentar seu quarto e último mandato.
O Conselho da Fifa pode convocar reunião de emergência para tratar da saída de Infantino caso 19 de seus 37 membros a solicitem. A distribuição dos 37 membros é a seguinte: nove da Uefa, sete da AFC (Confederação Asiática de Futebol), seis da CAF (Confederação Africana de Futebol), cinco da Concacaf (Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central), cinco da Conmebol e três da Oceania. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam o quadro.