sexta-feira, 7 - agosto 2026 - 16:54



VICE DA CHAPA

Maluf detona Wellington após ser trocado por ex-militante do PT; 'apodrece a política'


Da Redação/ FatoAgora
Empresário Marcelo Maluf (Novo)
Empresário Marcelo Maluf (Novo)

O empresário Marcelo Maluf criticou duramente o senador Wellington Fagundes (PL) após ser retirado da disputa pelo cargo de vice-governador na chapa do candidato ao Governo de Mato Grosso. A mudança ocorreu na noite de quinta-feira (6), quando o PL apresentou à Justiça Eleitoral uma nova composição, substituindo Maluf pelo ex-deputado Alencar Farina (PL).

A troca aconteceu pouco mais de três horas depois de o Novo, partido de Maluf, registrar uma ata na qual o empresário aparecia formalmente como candidato a vice-governador. Na nova composição apresentada pelo PL, às 22h55, o nome de Maluf sequer foi mencionado.

Em nota divulgada nesta sexta-feira (7), Maluf afirmou que a decisão demonstra falta de compromisso por parte de Wellington e do Partido Liberal e acusou o grupo de contribuir para “apodrecer a boa política”.

“Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios — o que só contribui para apodrecer a boa política”, afirmou.

O empresário também questionou a capacidade de Wellington de cobrar confiança do eleitorado caso não consiga cumprir compromissos assumidos dentro da própria aliança política.

“Quem pretende governar um Estado precisa, antes de tudo, demonstrar que sua palavra tem valor. Precisa respeitar compromissos, aliados e pessoas que aceitaram caminhar ao seu lado.”

Na sequência, fez uma das críticas mais fortes ao senador:

“Não é possível pedir confiança a mais de três milhões de mato-grossenses quando não se consegue honrar compromissos assumidos dentro da própria casa”, disse.

Não foi uma conversa informal

Maluf afirmou ainda que sua indicação para a vice não surgiu apenas de uma negociação informal, mas teria sido construída entre as siglas e posteriormente formalizada no processo partidário. “A decisão não foi fruto de uma conversa informal ou de uma possibilidade lançada ao acaso. Foi uma escolha política apresentada, construída e formalizada dentro do processo partidário, inclusive com a realização da convenção.”

O empresário classificou a retirada da chapa como uma “falta de respeito não apenas pessoal, mas política” e disse que a mudança atingiu um projeto que já havia mobilizado pessoas, estratégias e estrutura de campanha. “Não faço política dessa maneira e não aceitarei naturalizar esse tipo de comportamento.”

A reviravolta ocorreu depois de Maluf ter sido tratado como nome definido para ocupar a vice de Wellington. Após a convenção do Novo, o empresário chegou a afirmar publicamente que a composição estava fechada. “Martelo batido, prego batido e ponta virada”, declarou na ocasião.

Maluf também havia afirmado que PL, MDB e Novo haviam chegado a um consenso para disputar juntos as eleições. “A nossa coligação com o PL e o MDB é uma realidade. Foi bem discutida hoje pela manhã. Discutimos bastante e chegamos ao consenso de que faremos uma chapa vitoriosa”, disse.

A vaga de vice vinha sendo alvo de negociações porque o grupo de Wellington ainda buscava atrair o Podemos, partido comandado em Mato Grosso pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi. A legenda, porém, decidiu apoiar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Com a saída do Podemos das negociações, Maluf passou a ser considerado o nome para a vice. A ata do Novo havia registrado formalmente sua candidatura e delegado à Comissão Executiva Estadual poderes para tratar de coligações, definir integrantes da chapa majoritária e promover eventuais substituições. Na nova composição protocolada pelo PL, entretanto, a vaga passou para Alencar Farina, consolidando a chamada “chapa pura” do partido na disputa pelo Governo.


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