- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 13 , AGOSTO 2026
O vereador de Poxoréu (586 km de Cuiabá), Túlio César (Republicanos), foi indiciado pela Polícia Civil por participação no assassinato de Lavínia Gabrielly Guimarães Coutinho, de 20 anos, executada a tiros dentro de uma casa noturna do município em maio deste ano. Conforme apurou o FatoAgora, o parlamentar é apontado no inquérito como o homem que deu apoio à fuga do executor após o homicídio. Além dele, outra pessoa foi indiciada como liderança e responsável por coordenar a ação criminosa.
A Polícia Civil concluiu nesta quinta-feira (13) o inquérito que apurou a execução. Ao todo, dois investigados foram indiciados por homicídio qualificado, por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima, além de organização criminosa. Segundo a apuração, o assassinato foi planejado e envolveu uma divisão de tarefas entre os participantes. A investigação também identificou a participação de uma adolescente que estava com Lavínia antes do crime. Segundo a corporação, ela teria conhecimento prévio do plano e permaneceu ao lado da vítima para não despertar suspeitas. A acusada teria recebido uma chamada de vídeo de uma pessoa que estava presa, elemento que, segundo os investigadores, reforçou a suspeita de que o crime foi previamente arquitetado. O autor dos disparos, porém, ainda não foi identificado.
A investigação aponta que Lavínia teria sido assassinada por uma facção criminosa sob a suspeita de que repassava informações às forças de segurança sobre a atuação do tráfico de drogas em Poxoréu. Na madrugada de 10 de maio, a jovem estava em uma casa noturna às margens da MT-130 quando foi surpreendida pelo executor. A perícia identificou ao menos cinco disparos efetuados a curta distância, sendo quatro deles em regiões vitais. Um dos tiros teria sido efetuado quando ela já estava caída.
O inquérito apontou que a vítima mantinha contato com integrantes das forças de segurança e auxiliava a mãe, que prestava serviços no quartel da Polícia Militar. Membros de uma facção criminosa suspeitavam que a jovem repassava informações sobre o tráfico de drogas em Poxoréu. Com isso, a polícia concluiu que o homicídio teria sido motivado pela suspeita de que a jovem fornecia informações às forças de segurança sobre a atuação da organização criminosa
Executor ainda não foi identificado
Apesar do indiciamento, a Polícia Civil ainda trabalha para identificar quem efetuou os disparos que mataram Lavínia. Segundo o inquérito, o executor deixou a casa noturna em uma motocicleta Honda XRE 300 preta, sem placa aparente. O veículo foi posteriormente abandonado em uma região conhecida como “lixão”, em Poxoréu.
Depois, o suspeito teria continuado a fuga em um Hyundai HB20S cinza. A Polícia Civil informou que as investigações continuam para localizar o autor dos disparos e apurar a eventual participação de outras pessoas no homicídio. Os elementos envolvendo a adolescente identificada na investigação serão tratados conforme as regras específicas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Vereador já havia sido preso
Túlio César havia sido preso anteriormente durante a Operação Elo Oculto, deflagrada em julho para aprofundar as investigações sobre o assassinato. O vereador voltou a ser preso nesta segunda-feira (10), durante a terceira fase da investigação, batizada de Operação Véu de Ísis. Na ocasião, a Polícia Civil cumpriu cinco mandados judiciais em Poxoréu, Rondonópolis e Cuiabá, sendo três de busca e apreensão e dois de prisão preventiva.
Com o avanço da análise de celulares e outros materiais apreendidos, os investigadores conseguiram reconstruir parte da dinâmica do crime e identificar a participação de diferentes pessoas. De acordo com o inquérito, o homem apontado como responsável pelo apoio à fuga teria participado de etapas anteriores ao assassinato. Dados extraídos de um celular indicaram que ele recebeu informações sobre a movimentação da vítima e sobre o local para onde ela seguiria.
Ele também teria sido orientado sobre onde aguardar o executor e chegou a questionar qual motocicleta seria utilizada na fuga. Após a execução, ainda conforme a investigação, foram identificadas comunicações relacionadas à tentativa de eliminar vestígios digitais, incluindo orientações para formatar um aparelho, excluir o WhatsApp e trocar o número de telefone.