- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 26 , AGOSTO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), atribuiu a queda no movimento comercial do Centro da Capital, entre outros fatores, ao crescimento das compras pela internet e à mudança nos hábitos de consumo da população. Segundo ele, a transformação no comércio exige que a região central passe por um processo de reinvenção. A declaração foi dada nesta terça-feira (25), durante agenda no Mercado do Porto, ao ser questionado sobre a relação da Prefeitura com os feirantes e os problemas enfrentados atualmente pelos comerciantes da região central.
Abilio afirmou que a redução no fluxo de consumidores não é uma realidade exclusiva de Cuiabá e citou outros grandes centros comerciais do país que também enfrentam queda no movimento. “Você compra pelo Mercado Livre? Você compra pela Shopee? Você compra pelo AliExpress? Você compra pela internet? Sim. E muitas das vezes é muito mais barato do que comprar no centro ou comprar em qualquer outro lugar”, afirmou.
Segundo o prefeito, a facilidade de realizar compras pelo celular e receber os produtos em casa mudou o comportamento dos consumidores e reduziu a necessidade de deslocamento até os centros comerciais. “A comodidade de você estar onde você está, comprando pelo celular e recebendo na sua casa, isso acabou eliminando a modalidade de você ir em qualquer centro comercial. Isso não se aplica só a Cuiabá. Está aplicando na 25 de Março, que diminui o movimento. Está aplicando em qualquer outro centro comercial do país”, disse.
Para Abilio, os comerciantes precisam acompanhar essa mudança e buscar novas formas de atrair o público. “Centros comerciais precisam se reinventar, porque aquele público que ia lá comprar uma mochila, que ia lá comprar um caderno, uma canetinha, ou comprar uma roupa, alguma coisa, está comprando pela Shein, está comprando pela internet, está comprando pelas outras modalidades”, declarou.
O prefeito também citou outros fatores que, na avaliação dele, afastam consumidores do Centro de Cuiabá, como o calor, a dificuldade para encontrar vagas de estacionamento e a cobrança do estacionamento rotativo.
Durante a entrevista, Abilio também foi questionado sobre a insegurança na região central e os impactos da criminalidade sobre comerciantes. Na resposta, o prefeito direcionou críticas ao governo federal e afirmou que a legislação e a atuação das instituições acabam contribuindo, na visão dele, para a sensação de impunidade. “Enquanto o governo federal for parceiro do crime organizado, parceiro das facções criminosas e parceiro dos dependentes químicos, a gente fica refém de uma situação de insegurança”, afirmou.
Abilio também reclamou da dinâmica envolvendo prisões por furtos e a posterior liberação dos suspeitos. “A polícia está ativa ali, ela prende o cara, mas o cara que fez o furto, em poucos minutos está solto na delegacia, enquanto o policial está lá realizando o BO ainda”, disse.
O prefeito defendeu mudanças nas políticas de segurança pública e afirmou que a população precisa eleger representantes comprometidos com uma política de enfrentamento ao crime mais rígida. “Só mudando o presidente da República e mudando senadores, mudando deputados para que a gente tenha uma política de enfrentamento a esse setor muito maior”, declarou.
Cracolândia
Na sequência, Abilio citou a situação de pessoas em situação de rua e dependentes químicos e fez referência às medidas adotadas em São Paulo para enfrentar a chamada Cracolândia. Segundo ele, a Prefeitura de Cuiabá sozinha não consegue resolver o problema e seria necessária uma atuação conjunta entre diferentes órgãos e instituições. “São Paulo só conseguiu mudar um pouco essa realidade a partir do momento que o Ministério Público e o Tribunal de Justiça foram parceiros do governo de São Paulo e teve uma ação conjunta entre o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo para poder diminuir a Cracolândia que tem lá”, afirmou.
Abilio defendeu que uma estratégia semelhante seja adotada em Cuiabá, envolvendo Prefeitura, Governo do Estado, Ministério Público, Judiciário e outras instituições. “Aqui a gente precisa dessa parceria também. Se você ficar acreditando que só a Prefeitura vai fazer, não resolve”, disse.
O prefeito também citou ações municipais voltadas à população em situação de rua, como atendimento de saúde, assistência social, fornecimento de alimentação e auxílio para retorno às cidades ou locais de origem. Na avaliação dele, porém, é necessário discutir o modelo de atendimento e as políticas públicas adotadas para essa população. “A gente tem a Prefeitura, a política de saúde na rua, a gente tem a assistente social que leva para casa pagando passagem para essas pessoas voltarem, mas infelizmente a gente tem que fornecer refeição de manhã, de tarde e de noite, a gente tem que fornecer todo tipo de benefício”, afirmou.
Abilio encerrou fazendo uma comparação entre os benefícios oferecidos à população em situação de rua e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores. “As pessoas que estão trabalhando de verdade não têm os benefícios que um morador de rua tem. O trabalhador de verdade não tem o almoço, janta dado pela Prefeitura”, declarou.
Proposta de calçadão e atrações
Como alternativa para recuperar o movimento, Abilio afirmou que a Prefeitura está disposta a discutir mudanças na estrutura da região central, incluindo a criação de um calçadão e a realização de atividades que possam atrair novamente os consumidores. “Estou pronto aqui para fazer um calçadão aí na 13 de Junho, estou pronto aqui para fazer uma feira na 13 de Junho, reinventar esse Centro. Vamos trazer gastronomia, vamos trazer atividades diferentes”, afirmou.
Para o prefeito, a gastronomia e outras experiências presenciais podem ser utilizadas como ferramentas para diferenciar o comércio físico das compras pela internet. “Gastronomia você pode até comprar para entregar em casa, mas é gostoso você ir num lugar para comprar e comer num restaurante, comer um lanche diferente”, argumentou.
Abilio ainda fez um alerta sobre o futuro da região caso não haja mudanças. “Se o Centro não se reinventa, infelizmente está fadado”, declarou.
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