- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 4 , SETEMBRO 2026
O candidato ao Governo de Mato Grosso, senador Wellington Fagundes (PL), afirmou que prefeitos do próprio partido que declararam apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) teriam sido pressionados a tomar essa decisão. Segundo ele, alguns gestores chegaram a procurá-lo para relatar que sofreram cobranças mesmo depois de terem manifestado apoio ao candidato adversário.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (3), durante sabatina com representantes do setor produtivo, em Cuiabá, promovida pela Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt) e Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-MT).
Wellington afirmou que recebeu ligações e conversou pessoalmente com prefeitos que, inicialmente, haviam declarado apoio a ele, mas posteriormente mudaram de posição.
“Eu tenho recebido ligações, prefeitos que vão lá, tem prefeito que foi lá no meu gabinete, gravou agradecendo, e depois, do meu partido, e depois dizendo: olha, eu recebi pressão, eu vou ter que apoiá-lo”, relatou.
Na sequência, o senador questionou a força política dos apoios recebidos por Pivetta e afirmou que as manifestações públicas de prefeitos favoráveis ao governador seriam, em alguns casos, apenas uma forma de atender às pressões políticas.
“Mas é da boca pra fora. Olha, está aí, as pesquisas muito claras, quem tem a grande maioria dos prefeitos não consegue crescer nas pesquisas? Alguma coisa deve estar”, declarou.
Racha no PL
O episódio ocorre em meio a uma crise interna no PL de Mato Grosso, que tem Wellington como candidato ao Governo, mas enfrenta uma debandada de prefeitos da legenda em direção ao palanque de Pivetta.
Entre os gestores do PL que declararam apoio ao governador estão a prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, e os prefeitos de Rondonópolis, Cláudio Ferreira, e de Primavera do Leste, Sérgio Machnic. A situação provocou reação da direção estadual do partido.
Na quarta-feira (2), o presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, afirmou que a legenda havia iniciado procedimentos para apurar casos de possível infidelidade partidária de prefeitos que apoiam Pivetta. Segundo ele, os processos estão sob análise jurídica e podem resultar em expulsão.
A cobrança por fidelidade partidária já havia sido anunciada anteriormente pela direção da legenda. Em agosto, o PL chegou a divulgar orientação para que filiados não apoiassem candidatos de outras siglas ao Governo, embora houvesse diferentes manifestações internas sobre a possibilidade de punição aos prefeitos.
“Meu partido já fez várias coligações”
Durante a sabatina, Wellington também afirmou que considera necessário respeitar as decisões tomadas internamente pelo partido após as convenções e defendeu sua postura de lealdade à legenda.
“Eu sou leal, eu sempre, todos os meus mandatos foram pelo partido, eu sou fiel”, afirmou.
O senador disse ainda que, depois de uma convenção partidária, os filiados precisam acompanhar a decisão da maioria.
“Depois de uma convenção, a maioria definindo, a gente tem que acompanhar. O meu partido já fez várias coligações e aqui no Mato Grosso conseguimos fazer uma grande coligação”, declarou.
Ao final, Wellington pediu votos para os aliados de sua chapa, citando Flávio Bolsonaro para a Presidência, José Medeiros e Janaina Riva para o Senado, além dos candidatos a deputado federal e estadual que integram seu grupo político.
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