- CUIABÁ
- SÁBADO, 19 , SETEMBRO 2026
O advogado da empresária de Sapezal (511 km de Cuiabá) que obteve medida protetiva contra o deputado estadual e candidato à reeleição Chico Guarnieri (PSDB), Estevam Calvo, rebateu a versão apresentada pelo parlamentar de que o áudio usado como prova no processo poderia ter sido produzido ou manipulado com inteligência artificial. Segundo o advogado, a gravação está armazenada no celular da vítima e pode ser submetida a perícia.
Em entrevista ao FatoAgora nesta sexta-feira (18), o jurista disse que os celulares utilizados na comunicação poderão ser submetidos à análise técnica. “Ele vai ter que apresentar esses celulares, esses celulares podem ser periciados”, afirmou o advogado em Sorriso (420 km de Cuiabá) ao defender que a perícia poderá esclarecer a origem do conteúdo.
A manifestação ocorre depois de Chico declarar que não reconhece a própria voz na gravação e classificar o caso como “fake news”. O deputado também levantou a possibilidade de o material ter sido editado ou montado e questionou a duração do áudio apresentado à Justiça.
Na decisão que concedeu as medidas protetivas, porém, o juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães negou inicialmente o pedido de busca e apreensão dos celulares do parlamentar, assim como pedidos relacionados à extração de dados telefônicos e do WhatsApp. O magistrado deixou essas eventuais diligências para procedimento investigativo próprio. Estavam aponta que a empresária possui a gravação original em seu próprio aparelho.
A gravação em questão passou a circular nas redes sociais e mostra uma ligação telefônica que o parlamentar teria xingando e ameaçando uma empresária. Na gravação, atribuído ao parlamentar, Guarnieri acusa a mulher de ter falado sobre ele para funcionários e utiliza termos como “pilantra”, “vagabunda”, “ladrona”, “safada” e “mentirosa”. Logo no início da conversa, o deputado alerta a empresária sobre o que ela estaria gravando a conversa e recebe intimidações. “Senhora, só cuidado com o que a senhora fala para seus funcionários aí, tá? Eu quero dizer isso para a senhora”, afirma. Questionado se aquilo seria uma ameaça, ele responde: “Estou ameaçando. Pilantra, vagabunda, safada. Grava aí”.
Ouça:
Segundo a defesa, a empresária já teria atuado em outras campanhas com parlamentar. Contudo, nessa eleição, a mulher decidiu não apoia-lo, o que teria deixado o deputado insatisfeito.
“Nesse pedido também, nós tínhamos solicitado lá a busca e apreensão dos celulares, dos numerais utilizados nessa gravação, neste primeiro momento o juiz não deferiu. Mas se o candidato continuar insistindo em dizer que essas mensagens foram produzidas por material de inteligência artificial”, iniciou.
Estevam também revelou que o caso não deve terminar com a medida protetiva. Segundo ele, a defesa avalia medidas na esfera criminal e uma ação indenizatória por danos morais em razão do episódio.
“Além do processo criminal, uma ação indenizatória por toda essa circunstância, esse dissabor que ele fez a minha cliente passar”, afirmou.
Atualmente, Chico está proibido de se aproximar da empresária, familiares e testemunhas a menos de 100 metros e não pode manter contato com ela por telefone, mensagens, redes sociais, pessoalmente ou por intermédio de terceiros.
Veja vídeo: