- CUIABÁ
- SÁBADO, 19 , SETEMBRO 2026
A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPMT) contra a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e outras cinco pessoas investigadas na Operação Fariseus. Com a decisão, os seis passam a responder a uma ação penal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho e lavagem de dinheiro.
A decisão foi proferida na quinta-feira (17) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O magistrado considerou que a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) atende aos requisitos legais e apresenta elementos suficientes para o prosseguimento do processo.
Além de Rhavenna, foram denunciados a mãe dela, a pastora Orminda Carlos de Barcelos Almeida; Renildo da Silva Rios, conhecido como “Velho”, “Velhote” e “Chapa”; Rhuan Barcelos da Conceição; Anatany Nina de Barcelos Souza Alves; e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
Rhavenna, Renildo e Orminda respondem por integração de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Já Rhuan, Anatany e Lo Rhuama foram denunciados por lavagem de dinheiro.
Suposto núcleo do Comando Vermelho
Conforme a denúncia apresentada pelo MPMT em 11 de setembro, Rhavenna, Renildo e Orminda teriam integrado um núcleo do Comando Vermelho entre janeiro de 2024 e julho de 2026.
De acordo com o Gaeco, os demais integrantes do grupo teriam participado da movimentação e ocultação de valores supostamente provenientes de atividades criminosas.
A investigação aponta ainda que Rhavenna e Orminda utilizavam a atuação na “Equipe de Evangelismo Resgatando Vidas” para realizar visitas a unidades prisionais.
Para o Ministério Público, a atividade teria permitido que as duas mantivessem contato com integrantes da facção que estavam presos, além de facilitar a comunicação com membros que permaneciam em liberdade ou eram considerados foragidos.
Dinheiro sob suspeita
O MPMT também sustenta que o grupo familiar ligado a Rhavenna teria utilizado diferentes contas bancárias e outros mecanismos de movimentação financeira para ocultar valores que, segundo a acusação, seriam provenientes das atividades criminosas.
Com o recebimento da denúncia, os seis acusados deverão ser formalmente citados e terão prazo de 10 dias para apresentar resposta à acusação.
A decisão não representa condenação. A partir da abertura da ação penal, o caso seguirá para a fase de instrução, quando serão produzidas provas e ouvidas as partes antes de eventual julgamento.
Pai morreu antes da denúncia
Na decisão, o juiz também registrou a situação do pastor Nivaldo de Almeida, pai de Rhavenna, que havia sido citado na investigação anterior.
Segundo o magistrado, Nivaldo não foi denunciado pelo Ministério Público em razão de sua morte, ocorrida em 5 de setembro de 2026. O juiz determinou que o MP apresente a respectiva certidão de óbito.
Prisão de Rhavenna
Rhavenna já teve a prisão preventiva decretada anteriormente em outro processo, vinculado a uma medida cautelar que tramita no Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias.
Conforme a decisão, qualquer pedido de revogação ou substituição da prisão preventiva deverá ser apresentado naquele processo específico.