- CUIABÁ
- QUINTA-FEIRA, 22 , OUTUBRO 2026
Um coletivo estudantil denunciou ao Ministério Público Federal (MPF) supostas ameaças de violência contra estudantes e professores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. As mensagens, divulgadas nesta quinta-feira (22), mencionam o uso de canivete e arma de fogo, além da possibilidade de agressões contra integrantes da comunidade acadêmica. Segundo a denúncia, as conversas teriam ocorrido em um grupo ligado à organização de uma manifestação de apoio ao pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
O material foi divulgado pelo Coletivo Para Todos Mato Grosso, que afirma ter recebido as capturas de tela por meio de denúncias anônimas. Conforme a organização, as mensagens indicariam uma escalada de ameaças após a baixa adesão a uma manifestação realizada na universidade na última sexta-feira (16), que reuniu cerca de 40 participantes.
Em uma das conversas divulgadas, um integrante do grupo afirma: “amanhã teremos uma nova missão”. Na sequência, outro participante responde: “não esquecem o canivete”. Uma terceira mensagem menciona diretamente a possibilidade de agressões contra a comunidade acadêmica: “Nao sei se a gente pega pra bater nos alunos ou nos professores”.
Outro trecho mostra um participante afirmando: “Minha arma está no carro até hj!”. Em resposta, outro integrante escreve: “amanhã fica com ela na cintura por favor”. O autor da primeira mensagem responde: “pode deixar”.
Posteriormente, a mensagem foi editada, substituindo a palavra “arma” por “espátula”. O mesmo participante teria justificado a alteração ao escrever: “Mudei, pq se vaza pra quem não estava lá…”.
Segundo o coletivo, as conversas estariam relacionadas a participantes de um grupo responsável pela organização do ato em apoio a Flávio Bolsonaro, realizado no campus da UFMT. A autenticidade das mensagens e a identidade dos autores ainda dependem de confirmação pelas autoridades.
Diante do conteúdo, o Coletivo Para Todos Mato Grosso informou ter encaminhado os registros ao MPF, solicitando a apuração das ameaças, a identificação dos envolvidos e a responsabilização de eventuais autores.
A organização também cobrou providências da Administração Superior da UFMT e dos órgãos de segurança para garantir a integridade física de estudantes, professores, servidores técnicos e trabalhadores terceirizados.
Em comunicado, o coletivo defendeu que a universidade permaneça como um ambiente de convivência plural, liberdade de expressão e debate democrático, sem espaço para intimidações ou ameaças.
“A violência nunca será método de disputa em nosso espaço”, declarou a organização.
A reportagem procurou o Ministério Público Federal para confirmar o recebimento da denúncia e verificar se houve abertura de procedimento investigativo. A UFMT também foi acionada para informar se tomou conhecimento das mensagens e quais medidas de segurança poderão ser adotadas.
Até o momento, não há confirmação oficial sobre a autenticidade das conversas, a identidade dos participantes ou a existência de uma investigação formal.
Veja nota:
O Coletivo Para Todos manifesta publicamente seu mais veemente repúdio diante de informações e registros estarrecedores recebidos por meio de denúncias anônimas encaminhadas à nossa organização. As mensagens revelam articulações explícitas de violência premeditada contra a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Conforme o material recebido, os autores das mensagens admitem a frustração com o fracasso e a inexpressiva adesão de um ato realizado recentemente no campus. Diante disso, planejam uma nova ação, desta vez escalando abertamente para discursos de ódio e ameaças diretas de agressão física e armada. Entre as declarações obtidas, há menções expressas de indivíduos armados dispostos a atirar contra pessoas no espaço universitário.
A universidade pública é, por essência, o território do pensamento crítico, da convivência plural, do debate democrático e da livre manifestação de ideias. A tentativa de substituir o diálogo e a disputa política pela coerção armada, pela intimidação e pelo terror é um ataque frontal à democracia e à segurança de estudantes, servidores docentes, técnicos e trabalhadores terceirizados. Não toleraremos que o medo dite os rumos da convivência universitária.
Diante da extrema gravidade dos fatos, informamos que:
Reiteramos nosso compromisso intransigente com a democracia, com os direitos humanos e com a defesa de uma universidade pública, segura, diversa e verdadeiramente para todos e todas. A violência nunca será método de disputa em nosso espaço.
Cuiabá – MT, 22 de Outubro de 2026.
Coletivo ParaTodos Mato Grosso
Veja: