- CUIABÁ
- SEGUNDA-FEIRA, 2 , NOVEMBRO 2026
Neurodivergência, refugiados climáticos, uso excessivo de telas e saúde mental estão entre os assuntos que podem aparecer na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. As possibilidades foram apontadas pela professora Kelina Souza, do Colégio Maxi Cuiabá, que destaca inclusão, tecnologia e saúde como eixos importantes para os candidatos reforçarem os estudos na reta final de preparação.
A menos de um mês da prova, a professora ressalta que conhecer possíveis assuntos é importante, mas não deve ser confundido com tentar adivinhar o tema. Segundo ela, o desempenho depende principalmente da capacidade de interpretar a proposta, organizar argumentos e construir um texto coerente.
“Vale lembrar, porém, que nós, professores de redação, não gostamos de chutar o tema, pois isso, embora massageie o ego, não garante nota boa no texto”, afirma.
Na avaliação de Kelina, as propostas dos últimos anos têm valorizado discussões com abordagens mais inclusivas. Por isso, questões relacionadas a grupos vulneráveis podem ganhar espaço na edição de 2026. Entre as possibilidades estão os desafios enfrentados por pessoas neurodivergentes e por refugiados climáticos.
Outro eixo que merece atenção é a tecnologia. A professora considera que os impactos da transformação digital na sociedade podem render discussões sobre o uso excessivo de telas, jogos eletrônicos e inteligência artificial, especialmente diante da presença cada vez maior dessas ferramentas no cotidiano.
A saúde também aparece entre os assuntos que podem ser explorados na prova. Nesse campo, Kelina cita tanto questões físicas quanto emocionais, como os efeitos da busca excessiva por um padrão corporal magro, ansiedade e burnout.
Planejamento é essencial para uma boa redação
Além de acompanhar debates atuais, os candidatos precisam dominar a estrutura do texto dissertativo-argumentativo. Para a professora, o primeiro passo é organizar as ideias antes de começar a escrever, definindo a tese que será defendida, os argumentos que sustentarão o posicionamento e a proposta de intervenção para o problema apresentado.
“Primeiro, planejar bem o texto, pensando na tese, que precisa aparecer ainda na introdução, nos argumentos, os quais estarão dispostos no desenvolvimento, e na proposta de intervenção, que vem na conclusão da redação”, orienta.
O planejamento ajuda a manter uma linha de raciocínio e evita que o texto apresente ideias desconectadas. Na conclusão, a proposta de intervenção deve responder ao problema discutido e estar relacionada aos argumentos desenvolvidos ao longo da redação.
A orientação também está alinhada às exigências do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo exame. A redação pode alcançar 1.000 pontos e exige a defesa de um ponto de vista, além de uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos.
Fugir do tema pode comprometer a nota
Outro cuidado importante é compreender exatamente o que a proposta de redação solicita. Segundo Kelina, conhecer o assunto de maneira geral não é suficiente: o estudante precisa observar todas as palavras e expressões que delimitam o recorte temático.
“Uma observação muito importante é não se esquecer de contemplar todas as palavras importantes do recorte temático”, destaca.
A falta de atenção pode levar ao tangenciamento, situação em que o candidato aborda apenas parte do tema apresentado. Por isso, a leitura cuidadosa da proposta deve orientar a construção dos argumentos desde a introdução até a conclusão.
A professora também recomenda reservar alguns minutos para revisar o texto antes da entrega, observando possíveis erros gramaticais, problemas de coesão e trechos que possam comprometer a compreensão.
“Depois de finalizar o rascunho, é preciso ler com atenção para corrigir os possíveis erros de gramática ou de coesão”, afirma.
Colégios de MT somam mais de 420 aprovações
As orientações fazem parte do trabalho desenvolvido pelo Colégio Maxi, integrante do Grupo Salta. Segundo levantamento parcial divulgado pela rede, estudantes dos colégios Master, Maxi e CIE somam mais de 420 aprovações em vestibulares e seleções nacionais de 2026, em cursos como Medicina, Engenharias, Direito e Relações Internacionais.
O levantamento também registra 35 aprovações entre as dez primeiras colocações em cursos de universidades públicas.