- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 4 , NOVEMBRO 2026
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), ampliou os poderes secretário municipal de Governo, Silvio Aparecido Fidélis, que passará a responder também pela Secretaria Municipal de Administração. A designação foi publicada nesta quarta-feira (4) no Jornal Oficial Eletrônico dos Municípios de Mato Grosso.
Com a mudança, Fidélis ficará à frente de duas pastas estratégicas da administração municipal. Conforme o Ato nº 916/2026, ele acumulará as funções sem receber remuneração adicional pela nova atribuição, que será exercida sem ônus para os cofres públicos.
A nova responsabilidade também ocorre em meio às articulações da Prefeitura para implementar uma reforma administrativa no município.
A nomeação chama atenção porque o próprio governo de Flávia Moretti já denunciou Fidélis aos órgãos de fiscalização por suspeitas de irregularidades em um contrato de transporte escolar firmado durante a gestão do ex-prefeito Kalil Baracat (MDB), quando o atual secretário comandava a Secretaria de Educação.
A investigação teve como base uma auditoria da Controladoria-Geral de Várzea Grande, que apontou possível prejuízo de R$ 6,22 milhões aos cofres públicos. Entre as irregularidades identificadas estavam cobranças por trajetos com quilometragem superior à efetivamente percorrida pelos ônibus escolares.
A denúncia também apontou problemas nas condições dos veículos utilizados no transporte de estudantes, incluindo poltronas danificadas, cintos de segurança quebrados, ausência de faróis e extintores vencidos ou inexistentes.
Afastamento e retorno
Apesar das suspeitas, Fidélis permaneceu no primeiro escalão da gestão municipal. Em dezembro de 2025, pouco menos de dois meses após formalizar a denúncia, Moretti o nomeou secretário de Governo. Na ocasião, a justificativa foi a necessidade de contar com o auxiliar na articulação política e no relacionamento com a Câmara Municipal.
Em maio de 2026, o Ministério Público recomendou o afastamento do secretário. Posteriormente, em agosto, o juiz Francisco Ney Gaíva determinou que ele deixasse o cargo por 90 dias, ao considerar o risco de eventual influência sobre servidores e interferência na produção de provas.
A Prefeitura recorreu da decisão. Em 4 de setembro de 2026, o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargador José Zuquim Nogueira, suspendeu o afastamento cautelar e autorizou o retorno de Fidélis à Secretaria de Governo.
Ao analisar o recurso, Zuquim considerou que não havia demonstração concreta de que o secretário, na função de Governo, tivesse controle direto sobre licitações, contratos, medições ou pagamentos relacionados à Secretaria de Educação. O magistrado também levou em conta a situação financeira do município e a participação de Fidélis na coordenação de uma comissão criada durante a calamidade financeira e fiscal.
A decisão, entretanto, não encerrou a ação popular nem afastou as suspeitas investigadas. As demais determinações judiciais relacionadas à preservação de documentos e à proibição de pagamentos à empresa Allegratur Agência de Viagens e Turismo Ltda. permaneceram em vigor.