- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 28 , OUTUBRO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a procura por atestados médicos continua contribuindo para a lotação das unidades de saúde da Capital, principalmente às segundas e terças-feiras e em vésperas de feriados. Segundo ele, o movimento diminui ao longo da semana e cai ainda mais durante jogos de futebol, quando a procura por atendimento chega a ser muito baixa.
“Segunda, terça-feira e véspera de feriado, sempre lota, sempre lota. E depois diminui, quarta, quinta, sexta, diminui. Sábado então, e se tiver jogo, aí não vem ninguém praticamente”, declarou.
Abilio reconheceu que não é possível impedir que uma pessoa procure uma unidade de saúde com a intenção de conseguir um atestado, já que os profissionais não têm como identificar o motivo da busca antes da avaliação médica. Por isso, a estratégia da prefeitura é conscientizar a população e orientar os médicos a serem mais rigorosos na justificativa para o afastamento.
“Tem como eu impedir alguém de buscar uma unidade de saúde por motivo de atestado? Não, porque o profissional que está lá, ele não sabe se a pessoa veio por atestado ou não. Ele vai atender aquela pessoa como ela tem comparecido na unidade. Só posterior ao atendimento que ele vai identificar que a busca era de atestado”, explicou.
O prefeito acrescentou que, quando o paciente não apresenta problemas de saúde que justifiquem o afastamento, o médico pode fornecer apenas um certificado de comparecimento. O documento comprova que a pessoa esteve na unidade, mas não equivale a um atestado médico que recomende afastamento do trabalho.
Redução da procura
A declaração retoma uma discussão iniciada em maio de 2025, quando Abilio passou a atribuir parte da superlotação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) à procura de pacientes que, segundo ele, buscavam documentos para justificar faltas no trabalho.
Na época, o prefeito afirmou que havia uma proporção de quatro pessoas em busca de atestados para cada paciente que realmente precisava de atendimento. Em junho daquele ano, após a prefeitura orientar os médicos a restringir a emissão de documentos em casos sem indicação clínica, ele anunciou uma redução de até 30% nos atendimentos de algumas unidades.
A Secretaria Municipal de Saúde, porém, informou à época que não contabilizava especificamente a emissão de atestados. Os dados disponíveis indicavam uma queda no total de atendimentos nas unidades, de 76,5 mil em maio para 67,1 mil em junho, mas não permitiam atribuir toda a redução à mudança nos critérios para emissão dos documentos.
Em junho de 2026, o assunto voltou à pauta após Abilio divulgar imagens de uma UPA praticamente vazia durante um jogo da Seleção Brasileira. O prefeito ironizou a situação e voltou a relacionar a baixa procura às partidas de futebol, em contraste com a movimentação registrada em outros dias.
A nova declaração mostra que, apesar de ter anunciado anteriormente uma redução no movimento das unidades, o prefeito ainda aponta a busca por atestados como um problema recorrente. Ele também reconhece que a mudança de comportamento depende de um trabalho contínuo de conscientização, enquanto a decisão sobre a necessidade de afastamento cabe ao profissional responsável pelo atendimento.
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