- CUIABÁ
- QUARTA-FEIRA, 9 , SETEMBRO 2026
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), defendeu na sexta-feira (4) a atuação de um pastor da Igreja Universal que levou fiéis para fora do templo e pediu votos para os candidatos a deputado federal Eduardo Magalhães (Republicanos) e a deputado estadual Alex Sandro (Republicanos). Questionado sobre o caso, Abilio afirmou que o ideal seria que pedidos de votos não fossem feitos dentro de igrejas, mas disse não enxergar ilegalidade na estratégia adotada pelo pastor, que realizou a manifestação do lado de fora do templo.
“Pode pedir voto dentro da sala de aula? O ideal é que não fizesse. […] Pode pedir voto dentro da universidade? O ideal é que não fizesse. Um professor pode induzir o voto do seu aluno? Não”, afirmou.
Na avaliação do prefeito, porém, o fato de o pastor ter levado os fiéis para fora da igreja afastaria qualquer problema relacionado ao espaço religioso.
“Ah, mas ele falou do lado de fora. Por que que ele falou do lado de fora? Porque ele não pode se manifestar do lado de dentro. Quando ele sai para o lado de fora do templo, quem é obrigado a ficar ali dentro? Ninguém”, disse.
O prefeito afirmou ainda que a manifestação política representa uma forma de defesa dos valores defendidos pelo segmento religioso.
“Eu não vejo nada de ilegal. O que eu vejo é: ele está buscando, dentro do seu segmento, a defesa daquilo que eles acreditam. E, para defender aquilo que eles acreditam, eles precisam de representantes”, declarou.
Crítica a outros setores
Ao comentar o episódio, Abilio ampliou a discussão para a participação de religiosos na política e afirmou que haveria uma tentativa de limitar manifestações de evangélicos.
Segundo o prefeito, igrejas estariam sendo “atacadas” por decisões e posicionamentos que, na avaliação dele, contrariam suas convicções religiosas.
“É uma ameaça à nossa fé? É uma ameaça às nossas convicções”, afirmou.
Abilio também citou a atuação de setores ligados à esquerda e mencionou a criação de um comitê de pastores evangélicos para apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atribuído por ele à primeira-dama Janja Lula da Silva e ao PT.
“Se estão tão incomodados com posicionamento de pastores dentro da igreja, por que montar um comitê buscando pastores de esquerda?”, questionou.
O prefeito afirmou ainda que não considera legítimo perseguir pastores por manifestações políticas.
“Agora, eu vou perseguir o pastor? Não, pô, de jeito nenhum”, disse.
Entenda
O episódio citado pelo prefeito envolve um pastor da Igreja Universal localizada na região central de Cuiabá. Em vídeo que circula nas redes sociais, o religioso aparece reunido com fiéis do lado de fora do templo e pede que eles conversem diariamente com outras pessoas, como colegas de trabalho e funcionários, para divulgar os nomes de Eduardo Magalhães e Alex Sandro.
Durante a fala, o pastor afirma que não recebe dinheiro para atuar em favor dos candidatos e diz que a iniciativa seria voltada para a “obra de Deus”.
O religioso também explica que optou por fazer o pedido do lado de fora porque teria problemas caso realizasse a manifestação dentro da igreja.
“Eu não posso fazer esse pedido lá dentro da igreja. Se eu fizer esse pedido lá dentro da igreja eu tenho problema”, afirmou no vídeo.
Ao ser questionado sobre a situação, Abilio reconheceu que o ideal seria evitar pedidos de votos em ambientes como igrejas, salas de aula e universidades, mas defendeu o direito de religiosos se manifestarem politicamente fora desses espaços.
“Não há nenhum tipo de quebra de legalidade, apesar que alguém pode inventar aí algum tipo de justificativo para isso”, concluiu.