- CUIABÁ
- SEXTA-FEIRA, 11 , SETEMBRO 2026
A rotina corrida, o excesso de tempo sentado e a dificuldade de manter uma atividade física regular fazem parte da realidade de muitos cuiabanos. Dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, apontam que 37,2% dos adultos de Cuiabá apresentavam prática insuficiente de atividade física em 2023. Entre as mulheres, o percentual chegava a 41,2%.
O número ajuda a colocar em evidência uma questão que vai além da estética: a importância de manter o corpo em movimento para preservar força, mobilidade, equilíbrio, postura e funcionalidade ao longo da vida. Nesse cenário, o Pilates aparece como uma alternativa que pode ser adaptada às características e aos objetivos de diferentes pessoas.
A prática, que surgiu na década de 1990, envolve exercícios que estimulam força, flexibilidade, mobilidade, equilíbrio, coordenação, respiração e consciência corporal. A proposta é fazer com que o paciente desenvolva maior percepção sobre a própria movimentação e consiga levar esse aprendizado também para as atividades do dia a dia.
“Às vezes, a pessoa procura o Pilates pensando somente em melhorar a postura, mas acaba percebendo que também precisa ganhar força ou mobilidade. Outra chega porque sente o corpo rígido e descobre que pode trabalhar equilíbrio, respiração e consciência corporal. É justamente por isso que a avaliação faz tanta diferença”, afirma Karla.
A adaptação dos exercícios permite que a prática acompanhe diferentes momentos da vida. Durante a gestação, por exemplo, o trabalho pode ser ajustado às transformações do corpo e às necessidades de cada fase. Já para pessoas na terceira idade, exercícios voltados para força, equilíbrio e mobilidade podem contribuir para movimentos mais seguros e para a manutenção da autonomia.
Na infância, a atividade também pode ser utilizada de maneira adequada à idade e ao desenvolvimento da criança, estimulando coordenação, consciência corporal e uma relação mais positiva com o movimento. Entre adultos, o Pilates pode ser utilizado tanto por mulheres quanto por homens, inclusive como complemento para outras modalidades esportivas.
“Existe ainda uma ideia de que o Pilates é uma atividade mais voltada para mulheres, mas isso não corresponde à realidade. Homens também podem se beneficiar muito do trabalho de força, mobilidade, estabilidade e postura. O que muda é o objetivo de cada pessoa e a forma como vamos conduzir os exercícios”, destaca a fisioterapeuta.
Outro ponto importante, segundo a fisioterapeuta, é não esperar que o corpo apresente algum problema para começar a receber atenção.
“Não precisamos esperar sentir dor para começar a cuidar do corpo. A prevenção passa também pelo movimento. Fortalecer, melhorar a mobilidade e desenvolver consciência corporal são formas de cuidar da nossa funcionalidade antes que uma limitação apareça”, ressalta.
Karla também chama atenção para a diferença entre fazer uma atividade simplesmente por obrigação e encontrar uma prática que possa ser incorporada à rotina. Ela pontua ainda que essa mudança de olhar é importante para que o Pilates seja compreendido para além da imagem de uma atividade voltada apenas para alongamento ou estética.
“Não adianta escolher uma atividade porque está na moda ou porque alguém disse que é boa. Precisamos encontrar algo que faça sentido para aquela pessoa e que ela consiga manter. Quando o exercício passa a fazer parte da rotina, ele deixa de ser uma obrigação e começa a fazer parte do cuidado com a saúde. Pilates é sobre movimento. É entender melhor o próprio corpo, perceber onde existem limitações e trabalhar para que a pessoa tenha mais segurança e qualidade nos movimentos. E isso pode fazer diferença em qualquer idade”, afirma.
Na Uropelv, localizada no Jardim Cuiabá, o Pilates está integrado à atuação da fisioterapia e à proposta de cuidado com o corpo desenvolvida pela clínica. O trabalho busca considerar não apenas o exercício em si, mas também as particularidades e necessidades apresentadas por cada paciente.